31 de julho de 2025
deflagrada

PCC infiltrado: Policial civil e ex-estagiário do MP são presos em operação do Gaeco em SP

A ofensiva é um desdobramento direto de investigações que descobriram um plano da facção para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, membro do Gaeco de Campinas

Por Redação
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A ofensiva é um desdobramento direto de investigações que descobriram um plano da facção para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, membro do Gaeco de Campinas - Foto: Reprodução

Uma grande operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nesta terça-feira (9) mira um esquema de infiltração criminosa em órgãos públicos de São Paulo. Entre os alvos presos estão um policial civil e um ex-estagiário do próprio Ministério Público (MPSP), ambos suspeitos de ligação com atividades ilícitas atribuídas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Denominada Operação Infiltrados, a ação cumpriu 10 mandados de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pela Justiça. As diligências ocorreram simultaneamente nas cidades de Campinas, Cardoso e em outros municípios do interior paulista.

A ofensiva é um desdobramento direto de investigações que descobriram um plano da facção para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, membro do Gaeco de Campinas e figura de destaque no combate ao crime organizado no estado.

De acordo com o Gaeco, o policial civil preso é um chefe de investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas. As apurações apontam que ele mantinha contato frequente com os criminosos envolvidos no plano de atentado. A suspeita é de que dados sigilosos sobre a rotina, os deslocamentos e as atividades do promotor tenham sido levantados e repassados para subsidiar a execução do crime. Um dos encontros presenciais entre os suspeitos foi registrado e serve como prova material.

Além da ameaça ao promotor, a investigação revelou outra linha de atuação do grupo, que contava com a ajuda de um estagiário lotado em uma unidade do Ministério Público.

Segundo os promotores, o estudante usava suas credenciais de acesso interno para consultar bancos de dados sigilosos do Estado. O objetivo era mapear e identificar alvos com alto poder aquisitivo. Essas informações financeiras eram repassadas para a facção, que as utilizava para cometer extorsões. Criminosos e empresários eram procurados e pressionados a pagar propinas em troca de suposta "proteção" ou para evitar o avanço de investigações penais.

A operação desta terça-feira contou com o apoio estratégico da Corregedoria da Polícia Civil, da Corregedoria da Polícia Penal e de equipes do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep). Os envolvidos deverão responder por organização criminosa, corrupção, violação de sigilo funcional e extorsão.