31 de julho de 2025
MUNDO

EUA incluem Baidu, Alibaba e BYD em lista de empresas ligadas ao Exército chinês

Departamento de Defesa ampliou relação para 188 companhias; medida restringe contratos com o governo americano

Por Redação
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Governo dos EUA ampliou para 188 o número de empresas chinesas consideradas ligadas ao setor militar. - Foto: Divulgação

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos atualizou nesta segunda-feira (8) a lista de empresas que, segundo o governo americano, mantêm vínculos com as forças armadas da China. A nova relação passou a contar com 188 companhias e inclui gigantes dos setores de tecnologia, comércio eletrônico, biotecnologia e veículos elétricos.

Entre os novos nomes adicionados estão a empresa de buscas Baidu, a gigante do comércio eletrônico Alibaba, a montadora BYD, além das fabricantes de chips CXMT e YMTC. Também foram incluídas as empresas de robótica Unitree e Robosense Technology, a companhia de biotecnologia WuXi AppTec e a fabricante de equipamentos de telecomunicações Baicells.

Segundo o Departamento de Defesa, as companhias listadas se enquadram na classificação de “empresas militares chinesas” que operam ou mantêm atividades nos Estados Unidos. As empresas terão a possibilidade de solicitar formalmente a retirada de seus nomes da relação.

A atualização da lista tem impacto direto nas contratações do governo americano. Com base em legislação aprovada recentemente, o Departamento de Defesa ficará impedido de contratar diretamente empresas incluídas na relação a partir do final de junho deste ano.

As restrições serão ampliadas em 2027, quando o Pentágono também ficará proibido de adquirir produtos ou serviços dessas companhias por meio de fornecedores terceirizados.

Embora a medida não represente sanções econômicas formais, especialistas avaliam que a inclusão na lista pode gerar prejuízos reputacionais e dificultar relações comerciais com fornecedores e parceiros ligados ao governo dos Estados Unidos.

As companhias afetadas reagiram à decisão e negaram qualquer ligação com atividades militares chinesas.

A BYD afirmou que sua inclusão na lista “carece de fundamento factual”. Já o Alibaba declarou que não é uma empresa militar chinesa nem participa de qualquer estratégia de integração entre os setores civil e militar do país.

A Baidu também rejeitou a classificação, classificando a acusação como “totalmente infundada” e informando que utilizará todos os mecanismos legais disponíveis para contestar a decisão.

A WuXi AppTec seguiu a mesma linha e anunciou que adotará medidas para tentar reverter a inclusão na lista.

A Embaixada da China nos Estados Unidos criticou a decisão e acusou Washington de promover discriminação contra empresas chinesas.

Em nota, o governo chinês afirmou que as companhias atuam em conformidade com as legislações locais e pediu que os Estados Unidos encerrem o que classificou como uma prática injusta.

A atualização da lista ocorre em meio à continuidade das tensões comerciais e tecnológicas entre as duas maiores economias do mundo, mesmo após recentes encontros diplomáticos entre o presidente americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping.

Apesar da retomada do diálogo entre os dois países, temas considerados sensíveis, como tecnologia, segurança nacional e a situação de Taiwan, continuam sendo pontos de atrito entre Washington e Pequim.