31 de julho de 2025
PERNAMBUCO

MPPE recomenda redução de cachês e aponta possível sobrepreço de mais de R$ 2 milhões no São João de Caruaru

Ministério Público aponta contratos acima da média de mercado e cobra explicações da Prefeitura sobre gastos com atrações do São João 2026

Por Paula Tabosa
Publicado em
MPPE aponta possível sobrepreço superior a R$ 2 milhões em contratos do São João de Caruaru 2026. - Foto: Reprodução

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou à Prefeitura de Caruaru e à Fundação de Cultura e Turismo que adotem medidas para conter os gastos com atrações artísticas contratadas para o São João 2026. A orientação foi emitida após auditoria identificar indícios de contratações com valores acima da média praticada pelo mercado.

De acordo com o órgão, a análise dos dados disponíveis nos painéis de transparência do próprio MPPE e do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) apontou um possível excesso global superior a R$ 2 milhões nos contratos firmados para a programação junina deste ano.

Segundo a investigação, diversos cachês ultrapassam a média histórica cobrada pelos próprios artistas em apresentações realizadas anteriormente. O caso mais expressivo é o do cantor Wesley Safadão, contratado por R$ 1,5 milhão para se apresentar no dia 19 de junho, no Pátio de Eventos Luiz Gonzaga. Conforme os cálculos do MPPE, o valor estaria R$ 429,5 mil acima do limite considerado adequado.

A auditoria também identificou possíveis sobrepreços em contratos de outros artistas bastante conhecidos do público. Entre eles, o cantor Pablo, com diferença estimada em R$ 222,8 mil, e o projeto À Vontade, que reuniria um valor superior em aproximadamente R$ 156 mil.

Ainda segundo o Ministério Público, atrações tradicionais do forró e da música nordestina, como Zé Vaqueiro, Falamansa, Solange Almeida e Limão com Mel, também aparecem na relação de contratos considerados acima da média de mercado.

A metodologia utilizada pelo órgão segue parâmetros estabelecidos pela Nota Técnica nº 02/2026 do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Patrimônio Público e Terceiro Setor (CAO PPTS). O documento prevê que os cachês não ultrapassem a média dos valores cobrados pelos artistas entre maio e julho de 2025 em Pernambuco, corrigidos pela inflação medida pelo IPCA.

Além disso, o Tribunal de Contas do Estado também acompanha os gastos com eventos festivos e estabelece mecanismos de alerta quando as despesas superam 3% da Receita Corrente Líquida do município.

Na recomendação publicada no Diário Oficial, o MPPE orienta que a gestão municipal evite pagamentos acima dos limites apontados e não celebre novos contratos sem justificativas técnicas consistentes e pesquisas de mercado que comprovem os valores praticados.

A Prefeitura de Caruaru tem prazo de cinco dias para apresentar ao Ministério Público um posicionamento formal sobre as medidas que serão adotadas. Até o momento, a administração municipal não havia se pronunciado sobre a recomendação.