31 de julho de 2025

Flávio declara “guerra espiritual” e mira o Planalto

Em discurso para milhares de fiéis em São Paulo, senador classificou disputa política como uma “guerra espiritual”, criticou o governo federal e intensificou movimentos de articulação para a corrida presidencial de 2026

Por RAYANY FRANÇA
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MARCHA PARA JESUS - Foto: Divulgação/Flávio Bolsonaro

A 34ª edição da Marcha Para Jesus, realizada nesta quinta-feira (4), em São Paulo, ganhou contornos políticos com a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República. Em discurso direcionado ao público evangélico, o parlamentar afirmou que o país vive uma “guerra espiritual” e declarou que o atual governo será retirado do poder ainda este ano, associando sua fala a uma mobilização religiosa.

Ao lado de lideranças políticas e religiosas, Flávio aproveitou o evento para reforçar sua aproximação com o eleitorado conservador. Durante participação em um trio elétrico, o senador também lamentou a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília após condenação relacionada aos atos que culminaram na tentativa de ruptura institucional investigada pelo Supremo Tribunal Federal.

A presença do parlamentar na marcha ocorre em um momento de intensificação das articulações para as eleições de 2026. Nos últimos dias, Flávio percorreu cidades de Minas Gerais, estado considerado estratégico para qualquer projeto presidencial, ampliando contatos políticos e buscando consolidar apoios em uma das regiões mais disputadas do país.

O movimento acontece paralelamente a uma crise diplomática envolvendo os Estados Unidos e o Brasil. Recentemente, órgãos comerciais norte-americanos recomendaram a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, medida que ainda depende de validação interna do governo dos EUA. A oposição e o governo federal travam uma disputa narrativa sobre a origem das pressões internacionais.

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a relacionar o episódio à atuação política da família Bolsonaro, criando nas redes sociais o apelido “Tariflávio”. Em resposta, o senador tem buscado desvincular sua imagem de qualquer eventual impacto econômico decorrente das negociações entre os dois países.

Enquanto o governo acusa adversários de estimular sanções contra o Brasil por interesses eleitorais, a oposição intensifica a mobilização junto a segmentos religiosos e conservadores. A Marcha Para Jesus, mais uma vez, mostrou que a corrida presidencial de 2026 já começou, mesmo antes do calendário eleitoral oficial.