Banco Central alerta para alta do endividamento das famílias no Brasil
Comitê aponta que cenário exige cautela no mercado de crédito
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O Banco Central do Brasil (BC) alertou que o endividamento e o comprometimento de renda das famílias brasileiras seguem em níveis historicamente elevados e continuam em trajetória de alta.
O alerta consta em ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), divulgada nesta quarta-feira (4), que destaca a necessidade de maior cautela e diligência nas concessões de crédito diante do cenário econômico atual.
Segundo o documento, o ambiente de taxa básica de juros ainda contracionista, somado ao elevado endividamento de famílias e empresas, aumenta os riscos no sistema financeiro.
O Banco Central avalia que, embora as empresas demonstrem resiliência, já há sinais de impacto do aperto monetário sobre o setor produtivo.
De acordo com os dados mais recentes citados pelo BC, o endividamento das famílias com o sistema financeiro ficou em 49,8% em março, próximo do pico histórico registrado em fevereiro (49,9%).
Sem considerar dívidas imobiliárias, o índice permaneceu em 31,4%, mesmo patamar do mês anterior.
Já o comprometimento da renda com dívidas ficou em 29,3%, enquanto, sem crédito imobiliário, foi de 27%.
No relatório, o Comitê reforça que o cenário exige “cautela e diligência adicionais” no mercado de crédito, especialmente diante do aumento da participação de modalidades mais caras de empréstimos na composição da dívida das famílias.
O órgão afirma ainda que continuará acompanhando de perto a evolução do tema.
O documento também menciona iniciativas recentes voltadas ao alívio do endividamento, como o programa Desenrola Brasil, criado para facilitar a renegociação de dívidas de famílias inadimplentes, incluindo crédito pessoal, cartão de crédito e cheque especial.