31 de julho de 2025
Megaoperação no RJ

Relatório aponta que 17% de policiais retiraram câmeras corporais durante megaoperação no Rio

Levantamento do Ministério Público foi enviado ao STF e analisou imagens de agentes do Bope que atuaram na ação que deixou 122 mortos nos complexos do Alemão e da Penha

Por Redação
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Relatório aponta que 17% de policiais retiraram câmeras corporais durante megaoperação no Rio - Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Um levantamento do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apontou que pelo menos 17,6% dos policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) analisados retiraram as câmeras corporais durante a Megaoperação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, na zona Norte da capital fluminense.

O relatório foi produzido a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da chamada ADPF das Favelas, que acompanha medidas para reduzir a letalidade policial no estado. A operação ocorreu em 28 de outubro do ano passado e resultou em 122 mortes — cinco policiais e 117 civis.

De acordo com o documento, além dos agentes que retiraram os equipamentos, outros 7,8% teriam obstruído intencionalmente as imagens registradas pelas câmeras corporais. A análise foi feita a partir das gravações de 51 policiais do Bope que participaram da ação.

Após a operação, o STF determinou o envio de todas as imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes envolvidos, além da identificação dos policiais que utilizaram os equipamentos durante a incursão.

A Megaoperação Contenção mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças de segurança estaduais e foi apresentada pelo governo fluminense como uma ofensiva para conter a expansão territorial do Comando Vermelho e capturar lideranças criminosas que atuavam no Rio de Janeiro e em outros estados.

Segundo o Ministério Público, o relatório ainda é preliminar. O órgão informou que não foi possível concluir a análise das cerca de 3.600 horas de gravações produzidas durante a operação, o que impede, por enquanto, a identificação de todos os trechos considerados relevantes para a investigação.

O documento destaca ainda que a avaliação das imagens depende do cruzamento com outros elementos, como laudos periciais, documentos operacionais e depoimentos dos agentes que participaram da ação.

Entre os vídeos já examinados, pessoas feridas apareceram em 11,8% das gravações. De acordo com o Ministério Público, em todos esses casos houve prestação de socorro. O relatório também aponta indícios pontuais de condutas consideradas potencialmente inadequadas em cerca de 2% dos registros analisados.

Paralelamente à análise das imagens, o MPRJ vem ouvindo os policiais envolvidos nos confrontos armados ocorridos durante a operação. Segundo o documento, 200 policiais militares efetuaram disparos de arma de fogo na ação. Até abril deste ano, 204 agentes já haviam sido ouvidos, restando apenas 14 depoimentos pendentes.

A reportagem procurou o Governo do Estado do Rio de Janeiro para comentar as conclusões do levantamento. Até a publicação desta matéria, não havia resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.