31 de julho de 2025
SÃO PAULO

Após viver sete anos no hospital, menina recebe alta e vai para casa pela primeira vez

Maria Clara passou toda a infância internada por causa de uma doença rara e agora inicia uma nova etapa ao lado da família

Por Redação
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Após viver sete anos no hospital, menina recebe alta e vai para casa pela primeira vez - Foto: Divulgação

Pela primeira vez desde que nasceu, Maria Clara poderá dormir em casa. Aos 7 anos, a menina recebeu alta do Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, encerrando um período de internação que durou toda a sua vida. A saída do hospital marca o início de uma nova rotina ao lado da família e representa uma vitória construída ao longo de anos de tratamento.

Desde os primeiros dias de vida, Maria Clara precisou enfrentar desafios que transformaram o hospital em seu único lar conhecido. Diagnosticada com atresia intestinal, uma condição rara que compromete o desenvolvimento e o funcionamento do intestino, ela passou por diversos procedimentos cirúrgicos e necessitou de acompanhamento médico contínuo.

Por causa da doença, a menina dependia de nutrição parenteral, método que fornece nutrientes diretamente pela corrente sanguínea, garantindo seu crescimento e desenvolvimento ao longo dos anos.

As saídas do ambiente hospitalar eram limitadas e sempre acompanhadas por profissionais de saúde. Agora, após uma evolução considerada positiva pela equipe médica, Maria Clara poderá viver experiências comuns à maioria das crianças, mas inéditas para ela.

A mãe, Angélica Priscila de Oliveira, comemorou a conquista após anos de incertezas sobre o futuro da filha. Segundo ela, havia a expectativa de que a menina permanecesse internada por tempo indeterminado. “É uma emoção muito grande. Esperei por isso durante muito tempo. Hoje é só gratidão”, afirmou.

De acordo com a gastroenterologista pediátrica Mariana Napolitano, que acompanha o caso, o avanço ocorreu graças à resposta gradual do organismo da criança ao tratamento. Com o passar dos anos, o intestino passou a desempenhar melhor suas funções, permitindo que os cuidados fossem transferidos para o ambiente familiar.

A adaptação, porém, continuará acontecendo de forma progressiva. Como passou a maior parte da vida sem alimentação convencional, Maria Clara ainda utiliza uma fórmula especial para complementar sua nutrição.

A expectativa da equipe médica é que a convivência diária com a família contribua para o desenvolvimento de novos hábitos e para a ampliação de sua autonomia.

Além dos cuidados de saúde, a menina agora terá a oportunidade de experimentar situações simples, mas inéditas: brincar com as irmãs dentro de casa, frequentar a escola, compartilhar refeições em família e construir memórias longe dos corredores do hospital que a acompanharam durante toda a infância.