31 de julho de 2025

Alckmin defende Pix, critica tarifa dos EUA e acusa ‘sabotadores’ de prejudicar interesses do Brasil

Vice-presidente afirma que sistema de pagamentos instantâneos não será negociado e classifica proposta de taxação norte-americana como injusta

Por Redação
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Alckmin afirmou que o Pix é um patrimônio nacional e está fora das negociações comerciais com os Estados Unidos. - Foto: Cadu Gomes/VPR

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (2) que o Pix está fora de qualquer negociação comercial entre Brasil e Estados Unidos e classificou como “extremamente injusta” a proposta norte-americana de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Durante entrevista em Brasília, Alckmin também criticou o que chamou de “sabotadores” e “falsos patriotas”, acusando setores internos de prejudicarem os interesses do país em meio às negociações com o governo do presidente Donald Trump.

Alckmin reagiu à proposta apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que avalia a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros com base na chamada Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Segundo o vice-presidente, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalhará para reverter a medida antes de uma eventual formalização pela Casa Branca.

Durante a coletiva, Alckmin fez uma defesa enfática do Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em 2020 e que se tornou um dos meios de pagamento mais utilizados pelos brasileiros. Segundo ele, não há justificativa para que a ferramenta seja incluída em qualquer discussão comercial com os Estados Unidos.

“O Pix é um patrimônio nacional, é uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade e da economia. O Pix não prejudica ninguém e é altamente benéfico para a população”, afirmou.

O vice-presidente também elevou o tom ao comentar críticas e movimentações políticas relacionadas às negociações entre Brasil e Estados Unidos. Sem citar nomes, ele afirmou que existem pessoas agindo contra os interesses nacionais por motivações eleitorais.

“Sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas e sabotadores colocam seus interesses pessoais e eleitorais acima dos interesses do país”, declarou.

Na avaliação de Alckmin, esse tipo de postura acaba impactando diretamente empresas brasileiras, empregos e a economia nacional.

Outro ponto abordado pelo vice-presidente foi a balança comercial entre os dois países. Ele rebateu argumentos apresentados por autoridades norte-americanas sobre um suposto desequilíbrio desfavorável aos Estados Unidos.

Segundo Alckmin, os números mostram justamente o contrário. De acordo com ele, ao somar comércio de bens e serviços, os EUA registraram superávit de aproximadamente US$ 40 bilhões na relação comercial com o Brasil no ano passado.

O vice-presidente também destacou que a maior parte dos principais produtos exportados pelos Estados Unidos para o Brasil possui tarifa reduzida ou zerada, enquanto setores brasileiros enfrentam barreiras para acessar o mercado norte-americano.

Como exemplo, ele citou o setor açucareiro. Segundo Alckmin, o Brasil possui uma cota limitada para exportação de açúcar aos Estados Unidos e enfrenta sobretaxas elevadas quando ultrapassa esse volume.

“Há um desequilíbrio total em prejuízo do nosso país”, afirmou.

Alckmin também respondeu às críticas relacionadas ao desmatamento ilegal, apontadas pelo governo norte-americano como um dos fatores considerados nas discussões comerciais. Segundo ele, o Brasil tem avançado de forma significativa na agenda ambiental e registrou redução expressiva nos índices de desmatamento.

O vice-presidente destacou que a Amazônia apresentou queda superior a 50% nos índices de desmatamento e reafirmou o compromisso do país de zerar o desmatamento ilegal até 2030.

Em relação às negociações diplomáticas, Alckmin informou que o governo brasileiro continuará apostando no diálogo técnico e institucional para evitar a aplicação das tarifas. O prazo para uma definição sobre o tema é 15 de julho.

Segundo ele, representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e das Relações Exteriores deverão aproveitar encontros internacionais para ampliar as conversas com autoridades norte-americanas.

A expectativa do governo é utilizar os canais diplomáticos e comerciais já existentes para buscar uma solução negociada que preserve a relação econômica entre os dois países e evite impactos sobre as exportações brasileiras.