31 de julho de 2025
ATAQUE DE TUBARÃO EM PE

Tubarão-cabeça-chata pode atacar em apenas 50 centímetros de profundidade, alerta especialista

Pesquisador afirma que água rasa não impede aproximação da espécie; maré alta e água turva contribuíram para ataque em Piedade

Por Redação
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Especialistas alertam que o tubarão-cabeça-chata consegue se aproximar da faixa de areia mesmo em áreas de pouca profundidade. - Foto: Divulgação

O ataque sofrido por um menino de 11 anos na Praia de Piedade, no Grande Recife, reacendeu o alerta sobre os riscos da presença de tubarões próximos à faixa de areia. Segundo o engenheiro de pesca e pesquisador da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Paulo Oliveira, a profundidade da água não é um fator que impede a aproximação desses animais.

De acordo com o especialista, um tubarão-cabeça-chata pode se deslocar e atacar em locais com apenas 50 centímetros de profundidade, o que contraria a percepção de muitos banhistas de que áreas rasas são totalmente seguras.

A análise das marcas deixadas na vítima permitiu aos pesquisadores identificar que o ataque foi provocado por um tubarão-cabeça-chata, espécie conhecida por frequentar áreas costeiras e regiões próximas a estuários. Segundo estimativas, o animal envolvido no incidente tinha aproximadamente 2,5 metros de comprimento.

“Se o tubarão possui cerca de 50 centímetros de altura corporal e encontra essa profundidade disponível, ele consegue nadar normalmente. Não existe uma profundidade mínima que elimine o risco de incidentes”, explicou Paulo Oliveira.

Maré alta e água turva aumentaram o risco

O pesquisador destacou que o cenário encontrado no momento do ataque reunia diversos fatores considerados favoráveis para a aproximação do animal. Entre eles estavam a maré alta, a água turva provocada pelas chuvas recentes e a proximidade do estuário do Rio Jaboatão.

Segundo Paulo Oliveira, o tubarão-cabeça-chata tem como característica viver em regiões estuarinas, ambientes onde rios encontram o mar. A Praia de Piedade está localizada próxima a uma dessas áreas, o que aumenta a possibilidade de circulação da espécie.

“O cabeça-chata é um animal muito comum em estuários e regiões próximas. Ele utiliza esses ambientes para alimentação e deslocamento”, explicou.

Outro diferencial da espécie é sua capacidade de viver tanto em água salgada quanto em água doce, característica rara entre grandes tubarões e que amplia significativamente sua área de atuação.

Espécie é conhecida pelo comportamento investigativo

Segundo o especialista, o tubarão-cabeça-chata apresenta comportamento altamente investigativo, principalmente em situações em que a visibilidade da água está reduzida.

Em ambientes com água barrenta ou escurecida pelas chuvas, o animal utiliza outros sentidos para identificar movimentações e possíveis fontes de alimento.

“Eles são muito investigativos. Em águas turvas conseguem perceber a presença de organismos mesmo sem serem vistos. Isso aumenta a possibilidade de aproximação de pessoas que estão no mar”, afirmou.

Fases da lua influenciam o comportamento do mar

Paulo Oliveira também destacou que as fases da lua influenciam diretamente o volume de água nas praias. Durante os períodos de lua cheia e lua nova, as marés tendem a ficar mais intensas, fazendo com que a água avance ainda mais sobre a faixa de areia.

Segundo ele, quando a maré alta coincide com essas fases lunares, a possibilidade de aproximação dos tubarões aumenta devido à maior profundidade disponível próximo à costa.

“Quando a maré cheia acontece durante a lua cheia ou lua nova, a quantidade de água disponível perto da praia é maior, facilitando a movimentação dos animais”, explicou.

Especialista reforça importância das placas de alerta

Apesar do incidente, o pesquisador não defende a proibição do banho de mar, mas reforça a necessidade de que os banhistas respeitem as orientações de segurança instaladas nas praias.

Para ele, as placas de alerta não devem ser apenas observadas, mas compreendidas pela população, especialmente em períodos de maré alta, água turva e mar aberto.

“Não basta apenas ler a placa. É fundamental entender o que ela significa. Em situações de maré cheia e água turva, a recomendação é evitar entrar no mar”, destacou.

Novo monitoramento deve começar em Pernambuco

O especialista informou ainda que um novo programa de monitoramento de tubarões deverá ser iniciado em Pernambuco nos próximos dias. A iniciativa será desenvolvida em parceria com órgãos estaduais ligados às áreas de meio ambiente, ciência e tecnologia.

Segundo ele, o fortalecimento das ações de monitoramento e educação ambiental é a melhor estratégia para reduzir riscos e permitir que a população utilize as praias de forma mais segura.

“O mais importante é que as pessoas conheçam os riscos e saibam utilizar o ambiente marinho de maneira consciente e segura”, concluiu.