31 de julho de 2025
mundo

Diretor da OMS vai ao epicentro do surto de Ebola e cobra reforço internacional para conter avanço da doença

República Democrática do Congo já contabiliza mais de mil casos suspeitos e 246 mortes associadas à enfermidade

Por redação
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A epidemia foi reconhecida pelas autoridades congolesas em 15 de maio. - Foto: Divulgação/OMS

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, esteve neste sábado (30) em Bunia, no leste da República Democrática do Congo (RDC), para acompanhar de perto as ações de combate ao novo surto de Ebola que afeta o país. Durante a visita, ele destacou a importância da participação das comunidades locais na resposta à epidemia.

Segundo dados divulgados pelas autoridades congolesas, o país registrou 1.028 casos suspeitos da doença até a última sexta-feira (29). A província de Ituri, cuja capital é Bunia, concentra a maior parte dos casos confirmados.

Tedros afirmou que a mobilização da população é fundamental para controlar a disseminação do vírus. De acordo com ele, embora organismos internacionais e o governo congolês estejam atuando em conjunto, o envolvimento das comunidades afetadas é indispensável para o sucesso das medidas de contenção.

Dias antes, em Kinshasa, capital da RDC, o dirigente da OMS havia alertado para a insuficiência de recursos destinados ao enfrentamento da crise sanitária. Segundo ele, apenas um terço do financiamento necessário para as ações emergenciais foi obtido até o momento.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) também demonstrou preocupação com a velocidade de propagação da doença. Em comunicado divulgado neste sábado, a entidade afirmou que o atual surto apresenta um ritmo de crescimento sem precedentes nos primeiros dias após sua declaração oficial.

A epidemia foi reconhecida pelas autoridades congolesas em 15 de maio. Desde então, o vírus já foi identificado em três províncias do país. O vizinho Uganda também enfrenta casos da doença e confirmou novas infecções nos últimos dias.

De acordo com o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), a RDC contabiliza 246 mortes relacionadas ao surto. Apesar dos números, autoridades de saúde afirmam que a situação ainda pode ser controlada.

Na última semana, a OMS confirmou a recuperação e alta hospitalar do primeiro paciente tratado durante a atual epidemia. O caso foi considerado um sinal positivo em meio ao avanço da doença.

A atual onda de infecções é causada pela variante Bundibugyo do vírus Ebola, para a qual ainda não existe vacina aprovada nem tratamento específico. Especialistas alertam que a presença de grupos armados, a precariedade dos serviços de saúde e o grande número de deslocados por conflitos dificultam as ações de vigilância e atendimento na região.

A OMS avalia que o risco de disseminação para países vizinhos é elevado, mas considera baixa a possibilidade de impacto global neste momento.