MPF conclui que morte de JK foi causada pela ditadura militar
Novo relatório contesta versão oficial de acidente na Rodovia Presidente Dutra em 1976
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O Ministério Público Federal (MPF) concluiu nesta sexta-feira (29) que a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, ocorrida em 1976, foi provocada pela ditadura militar brasileira.
A conclusão foi apresentada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), que revisou o caso e contestou a versão oficial mantida ao longo das últimas décadas, segundo a qual JK teria morrido em um acidente de trânsito na Rodovia Presidente Dutra.
A aprovação do relatório ocorreu por maioria dos votos dos integrantes da comissão, com seis votos favoráveis e uma abstenção. O resultado foi divulgado durante coletiva realizada na Procuradoria Regional da República da 3ª Região, em São Paulo.
A apresentação contou com a participação da presidente da CEMDP, a procuradora regional da República Eugênia Augusta Gonzaga, da relatora do caso, a professora Maria Cecília Adão, e da deputada federal Natália Bonavides, integrante da comissão.
Revisão reuniu mais de 5 mil páginas
O novo parecer foi elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão e reúne mais de 5 mil páginas entre documentos, anexos e análises técnicas.
Segundo a comissão, o processo de revisão foi iniciado após pedido apresentado pelo ex-presidente da Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, Gilberto Natalini, e pelo jornalista Ivo Patarra.
Parte das informações utilizadas já havia aparecido em investigações anteriores conduzidas pelo próprio MPF.
Caso voltou a ser debatido após novo laudo
Juscelino Kubitschek morreu em agosto de 1976 durante viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro. O carro em que ele estava, conduzido por Geraldo Ribeiro, bateu na altura da cidade de Resende.
Na época, a investigação concluiu que o veículo atravessou a pista contrária e colidiu com um caminhão após possível contato com um ônibus. JK e o motorista morreram no local.
Ao longo dos anos, porém, surgiram suspeitas de motivação política envolvendo o contexto da ditadura militar e da Operação Condor, aliança entre regimes autoritários da América do Sul para perseguir opositores.
Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade afirmou não haver provas de assassinato ou participação do regime militar na morte do ex-presidente.
O caso voltou a ganhar força após um laudo elaborado em 2019 pelo engenheiro Sergio Ejzenberg para o Ministério Público Federal. O documento questionou a dinâmica do acidente e serviu como uma das bases para o novo relatório apresentado pela CEMDP.