31 de julho de 2025
POLÍTICA

Governo reage a decisão dos EUA sobre PCC e CV e acusa família Bolsonaro de buscar intervenção estrangeira

Palácio do Planalto afirma que Brasil define sozinho como combate o crime organizado e diz que medida americana pode afetar economia e o Pix

Por Redação
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Brasil é quem define como combate e classifica o crime, diz Planalto - Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O governo federal reagiu, nesta sexta-feira (29), à decisão dos Estados Unidos de classificarem organizações narcotraficantes como grupos terroristas e afirmou que cabe exclusivamente ao Brasil definir como o crime organizado é combatido dentro do território nacional. Em nota oficial, o Palácio do Planalto também acusou integrantes da família Bolsonaro de atuarem para estimular uma intervenção estrangeira no país.

Segundo o comunicado, o governo brasileiro considera inadequada a equiparação entre facções criminosas brasileiras e grupos terroristas internacionais motivados por razões ideológicas, religiosas ou políticas.

“O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”, diz trecho da nota divulgada pelo Planalto.

A manifestação do governo ocorre após autoridades americanas anunciarem medidas para ampliar a classificação de organizações ligadas ao narcotráfico como grupos terroristas, decisão que, segundo especialistas, poderia abrir margem para maior pressão diplomática, econômica e até ações de segurança internacional.

Governo teme impactos na economia e no Pix

No posicionamento oficial, o Palácio do Planalto afirmou que medidas unilaterais dos Estados Unidos, sem diálogo com o Brasil, podem prejudicar o combate ao crime organizado, afetar a economia brasileira e atingir até mesmo o sistema financeiro nacional.

O governo citou diretamente o Pix como uma possível área impactada, alegando que a ferramenta brasileira tem incomodado interesses econômicos estrangeiros.

“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, afirma o comunicado.

Recentemente, setores ligados ao governo dos Estados Unidos passaram a questionar mecanismos financeiros brasileiros, incluindo o Pix, sob alegações de concorrência considerada desfavorável para empresas americanas do setor financeiro.

Planalto critica Bolsonaro e fala em “intervenção estrangeira”

A nota do governo também direcionou críticas à família Bolsonaro. Segundo o Planalto, integrantes do grupo político estariam buscando apoio externo para pressionar o Brasil em pautas de segurança pública.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, afirmou o governo.

A crítica ocorre após o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ter se reunido nesta semana com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo informações divulgadas, o parlamentar teria solicitado que organizações criminosas brasileiras fossem classificadas como terroristas pelo governo americano.

Ainda na nota, o Planalto elevou o tom ao acusar “falsos patriotas” de tentarem manipular politicamente o debate sobre segurança pública.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, declarou.

Governo reconhece violência de facções, mas diferencia terrorismo

Apesar das críticas à classificação internacional, o governo reconheceu que facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e milícias promovem terror em diversas regiões do país.

No entanto, argumentou que o objetivo dessas organizações é econômico, voltado ao lucro obtido com tráfico de drogas, armas e outros crimes, diferentemente do terrorismo internacional, geralmente associado a motivações ideológicas ou religiosas.

O governo também destacou recentes medidas adotadas no combate ao crime organizado, incluindo a aprovação de uma legislação que endurece penas contra integrantes de facções e milícias.

“Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão — a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa ‘Brasil contra o Crime Organizado’, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima”, concluiu o Planalto.