Governo Lula calibra reação a decisão de Trump sobre facções para evitar desgaste político
O anúncio, feito na última quinta-feira (28), gerou debates internos que envolveram o Itamaraty
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O Palácio do Planalto e a cúpula do PT buscam um ponto de equilíbrio para reagir à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O anúncio, feito na última quinta-feira (28), gerou debates internos que envolveram o Itamaraty, o Ministério da Justiça e a equipe de pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O principal receio governista é que um posicionamento público apressado, mesmo que pautado na defesa da soberania nacional, nos riscos de ações militares americanas na região ou em eventuais sanções ao sistema financeiro, acabe sendo distorcido pela oposição e explorado junto à opinião pública como uma suposta "defesa" da criminalidade. Por essa razão, o governo optou pelo silêncio institucional nas primeiras horas, deixando as manifestações restritas à bancada do PT no Congresso.
O fator Flávio Bolsonaro e o embate eleitoral
Embora a possibilidade estivesse no radar do corpo diplomático, a equiparação das facções brasileiras a grupos como o Hamas e o Estado Islâmico surpreendeu o governo pela velocidade. A medida foi chancelada por Donald Trump apenas dois dias após uma visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca.
Diferente de episódios anteriores em que Lula ganhou popularidade ao confrontar Washington, como no caso dos impostos de importação aplicados por Trump a produtos brasileiros, o tema atual atinge diretamente a segurança pública, considerada uma das áreas de maior vulnerabilidade da atual gestão.
Nos bastidores, integrantes do Executivo acusam a família Bolsonaro de atuar nos Estados Unidos contra os interesses do próprio país, expondo o território nacional a riscos de intervenção e instabilidade econômica. Contudo, há o reconhecimento de que esses argumentos técnicos possuem pouco apelo com o eleitorado médio, que prioriza o combate imediato à violência e tende a simpatizar com o discurso de tolerância zero da direita.
Estratégia de desgaste
Flávio Bolsonaro tem utilizado a canetada de Donald Trump para tensionar a pauta de segurança pública contra o Palácio do Planalto. O movimento político também serve como um escudo para o senador tentar neutralizar o desgaste provocado por revelações recentes sobre seus contatos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo o parlamentar, a interlocução limitou-se a um pedido de patrocínio para o filme "Dark Horse", que narra a trajetória de Jair Bolsonaro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio agradeceu publicamente ao presidente americano e disparou críticas à atual gestão brasileira, afirmando que a agenda nos EUA entregou mais resultados para a segurança do país do que os mandatos petistas. No entorno do senador, a avaliação é de que a classificação do PCC e do CV como entidades terroristas carrega um dividendo político e eleitoral muito mais robusto do que um simples apoio formal de Trump à sua pré-candidatura.