31 de julho de 2025
justiça

Jovem relata agressões atribuídas a Jairinho durante julgamento

Testemunha afirmou ter sofrido violência física quando criança e disse que era orientada a esconder os episódios da mãe

Por Redação
Publicado em
ex-vereador Dr. Jairinho - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O julgamento do caso Henry Borel ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (28), no Rio de Janeiro, com o depoimento de uma jovem que afirmou ter sofrido agressões do ex-vereador Dr. Jairinho durante a infância.

Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, hoje com 18 anos, contou ao Tribunal do Júri que conviveu com Jairinho entre os 3 e os 7 anos de idade, período em que o político manteve relacionamento com sua mãe, Natasha Machado. Segundo a estudante, os episódios de violência ocorreram nos últimos anos da convivência.

Durante o depoimento, a jovem relatou agressões físicas, como socos na cabeça, torções no braço e episódios em que teria sido afundada em uma piscina. Em alguns momentos, ela se emocionou ao relembrar os acontecimentos.

A pedido da testemunha, Jairinho deixou o plenário durante o depoimento. Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e também ré no processo, acompanhou a audiência.

Kaylane afirmou ainda que o ex-vereador dizia que ela “atrapalhava” a vida do casal e que seria melhor se ela “não existisse”. Segundo a jovem, o medo que sentia do então padrasto aumentou com o passar do tempo.

A estudante contou que só revelou os episódios à família cerca de um ano após o fim do relacionamento da mãe com Jairinho, depois de assistir a um caso semelhante na televisão. Com a repercussão da morte de Henry Borel, ela decidiu colaborar com as investigações por acreditar que poderia ajudar a evitar novos casos.

A mãe da jovem, Natasha Machado, também prestou depoimento e confirmou que nunca percebeu marcas aparentes de agressão na filha. Ela declarou ainda que rompeu completamente o contato com Jairinho após tomar conhecimento dos relatos.

O julgamento sobre a morte de Henry Borel segue no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Jairinho é acusado de homicídio qualificado, tortura, fraude processual e coação no curso do processo. Já Monique Medeiros responde por crimes como homicídio, tortura e fraude processual.

Segundo a investigação da Polícia Civil e do Ministério Público, Henry, de apenas 4 anos, morreu em março de 2021 após sucessivas agressões.