31 de julho de 2025
fenômeno

Pensando em comida sem fome? Saiba o que é o food noise

Especialistas alertam que fenômeno está ligado à relação entre cérebro, hormônios e alimentação

Por Redação
Publicado em
Imagem ilustrativa - Foto: Freepik/Magnific

Pensar em comida ao longo do dia faz parte da rotina de muitas pessoas, mas especialistas alertam que pensamentos frequentes e difíceis de controlar sobre alimentação podem indicar um fenômeno conhecido como food noise, ou “barulho da comida”.

Segundo endocrinologistas, o food noise envolve pensamentos persistentes relacionados à comida, mesmo quando não existe fome física. O quadro pode afetar a relação com a alimentação e gerar impacto emocional e comportamental.

A endocrinologista Fabiana Mandel Cyrulnik explica que o fenômeno está relacionado aos mecanismos cerebrais responsáveis pelo controle da fome, saciedade e recompensa alimentar. Hormônios como GLP-1, GIP, leptina e grelina participam diretamente desse processo.

De acordo com a endocrinologista Carla Marys Adlung, o food noise não está ligado apenas à força de vontade. Segundo ela, fatores hormonais, metabólicos e emocionais podem manter o cérebro em estado constante de busca por comida.

Especialistas afirmam que alterações hormonais, privação de sono, estresse e dietas restritivas podem intensificar o problema. O estresse prolongado, por exemplo, pode ativar áreas do cérebro relacionadas à recompensa alimentar e aumentar a procura por determinados alimentos.

O fenômeno não é considerado uma doença isolada, mas médicos alertam que o acompanhamento profissional pode ser necessário quando os pensamentos sobre comida passam a causar sofrimento emocional, compulsão alimentar, ansiedade ou prejuízo à rotina.

Entre os sinais citados por especialistas estão urgência frequente para comer, dificuldade de controlar pensamentos sobre alimentação, culpa após refeições e episódios de compulsão alimentar.

Os médicos também destacam que o tratamento pode envolver acompanhamento multidisciplinar, incluindo avaliação hormonal, mudanças de hábitos e suporte emocional. Em alguns casos, medicamentos voltados ao controle hormonal do apetite podem ser utilizados conforme orientação médica.