31 de julho de 2025
política

Alvo da PF em investigação do INSS doou para ex-ministro de Bolsonaro e articulava entrada na política

Empresário investigado na Operação Sem Desconto teria ligação com entidades suspeitas de arrecadar milhões com descontos indevidos de aposentados

Por redação
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As apurações também apontam que Felipe Gomes mantinha relação com figuras políticas e demonstrava interesse em ingressar na vida pública. - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado/ Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (27), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os alvos está o empresário Felipe Macedo Gomes, apontado como integrante de um grupo suspeito de arrecadar cerca de R$ 700 milhões por meio de cobranças associativas irregulares.

Segundo as investigações, Felipe Gomes teria pretensões políticas e realizou uma doação de R$ 60 mil para a campanha de Onyx Lorenzoni ao governo do Rio Grande do Sul, em 2022. Na época, o ex-ministro comandava o Ministério da Previdência no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com a Polícia Federal, Gomes presidia a associação Amar Brasil quando a entidade iniciou o processo para firmar um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS. O mecanismo autorizava descontos de mensalidades associativas diretamente nos contracheques de aposentados.

O acordo acabou sendo formalizado em agosto de 2022, quando outra pessoa já ocupava a presidência da entidade e Onyx Lorenzoni disputava o governo gaúcho.

O ex-ministro criticou o relatório da investigação e afirmou que não tinha competência direta para autorizar descontos realizados por associações, apesar de o INSS estar vinculado à pasta que comandava.

As apurações também apontam que Felipe Gomes mantinha relação com figuras políticas e demonstrava interesse em ingressar na vida pública. Pessoas próximas ao empresário afirmaram que ele possuía ligação com o deputado federal Fausto Pinato, atualmente no União Brasil.

Segundo a investigação, o escritório político do parlamentar em Barueri, na Grande São Paulo, funcionava em uma sala alugada do empresário investigado. Pinato negou proximidade com Gomes e afirmou não saber quem ele era quando firmou o contrato de locação.

A citação dos nomes de Onyx Lorenzoni e Fausto Pinato nos inquéritos levou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, a solicitar o compartilhamento das investigações sobre fraudes no INSS, em 2025, por conta do foro privilegiado dos parlamentares.

Posteriormente, o caso passou para a relatoria do ministro André Mendonça, responsável por autorizar a nova fase da operação nesta quarta-feira.

Além da Amar Brasil, Felipe Gomes também é apontado como ligado às associações Master Prev, ANDAPP e AASAP. O grupo investigado ficou conhecido como “Golden Boys” durante a CPMI do INSS, devido ao estilo de vida de luxo ostentado pelos integrantes em Alphaville, área nobre de Barueri.

A defesa do empresário afirmou que ele sempre esteve à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.