31 de julho de 2025
R$ 960 mil bloqueados

Operação Catarse: Terapeuta suspeito de aplicar golpes e abusar de mulheres é preso em Salvador

Durante as diligências, equipes policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na residência e no escritório de atendimento do investigado

Por Redação
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Durante as diligências, equipes policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na residência e no escritório de atendimento do investigado - Foto: Reprodução

O psicoterapeuta Jordan Van Der Zeijden Campos, profissional atuante em Salvador (BA) e que acumula mais de 400 mil seguidores nas redes sociais, foi o principal alvo de uma operação deflagrada na terça-feira (26). A ação, batizada de Operação Catarse, foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e pelo Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres (Nevid), órgãos vinculados ao Ministério Público da Bahia (MP-BA).

A ofensiva investiga o suspeito pela prática de crimes de estelionato, violação sexual mediante fraude e assédio. Durante as diligências, equipes policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na residência e no escritório de atendimento do investigado. Além disso, o Poder Judiciário determinou o bloqueio preventivo de R$ 960 mil em contas bancárias associadas ao terapeuta para assegurar o ressarcimento de eventuais danos financeiros.

As investigações criminais tiveram início após o acolhimento de depoimentos de quatro mulheres que relataram ter sido vítimas de abusos de naturezas distintas. De acordo com o MP-BA, todas as denunciantes apresentaram elementos de prova substanciais sobre o padrão de comportamento reiterado pelo profissional. O Ministério Público ressaltou que as vítimas apontaram a existência de outras mulheres que sofreram abusos semelhantes, mas que ainda não formalizaram as denúncias por receio de represálias ou constrangimento.

Relatos de extorsão e violência de gênero


Os casos detalhados nos autos do inquérito expõem uma dinâmica de manipulação psicológica contínua e abuso de poder. Uma das pacientes afirmou ter sido convencida por Jordan, no decorrer das consultas clínicas, a transferir uma quantia de R$ 345 mil para as contas dele sob o pretexto de realizar um suposto investimento financeiro na expansão do próprio consultório.

Outra denunciante, que acumulava o papel de ex-aluna e paciente, declarou ter sido submetida a atos sexuais sem consentimento. Ela narrou que o psicoterapeuta utilizava técnicas de fragilização emocional e indução psicológica para forçá-la a ceder aos abusos dentro do ambiente de atendimento.

As outras duas mulheres que integram a denúncia inicial são ex-alunas e ex-funcionárias do terapeuta. Ambas relataram a existência de um ambiente de trabalho hostil e abusivo, caracterizado por episódios recorrentes de assédio moral e sexual, além de forte coerção psicológica direcionada a práticas sexuais indesejadas. A defesa do psicoterapeuta Jordan Van Der Zeijden Campos não foi localizada até o fechamento desta reportagem, mas o espaço permanece aberto para manifestações formais e esclarecimentos jurídicos.