31 de julho de 2025

Estudo aponta desafios enfrentados por jovens vulneráveis no Brasil, como violência, pobreza e evasão escolar

Pesquisa revela que quase 8 milhões de jovens estão fora da escola e aponta impactos de desigualdades sociais, raciais e territoriais

Por Redação
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Estudo mapeia 13 perfis de jovens mais vulneráveis a desigualdades - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Dificuldade para continuar os estudos, trabalho informal, violência urbana e cyberbullying estão entre os principais desafios enfrentados por jovens em situação de vulnerabilidade no Brasil. É o que aponta o estudo “Juventudes Brasileiras Minorizadas”, divulgado nesta terça-feira (26), que analisa os obstáculos vividos por diferentes grupos juvenis no acesso à educação, trabalho e direitos básicos.

A pesquisa foi produzida pela Fundação Roberto Marinho, UNICEF, Fundação Itaú – Itaú Educação e Trabalho e pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede). O levantamento reúne 14 artigos elaborados por especialistas e relatos de jovens impactados pelas desigualdades sociais no país.

Segundo o estudo, o Brasil possui mais de 46,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, mas 7,9 milhões estão fora da escola sem concluir a educação básica, o equivalente a 17% dessa população. Entre esses jovens, sete em cada dez são negros.

Jovens negros e mulheres negras são os mais afetados pela pobreza

Os dados, baseados na PNAD Contínua 2025, mostram ainda que 11,9 milhões de jovens vivem em situação de pobreza no país.

Entre os jovens em extrema pobreza, 74,9% são negros, enquanto mulheres negras representam 40% da juventude pobre brasileira.

A publicação destaca que fatores como falta de acesso à internet, longas distâncias até escolas, necessidade de trabalhar cedo e empregos precários aprofundam desigualdades históricas.

“Por trás dos indicadores existem trajetórias reais, sonhos interrompidos e desafios cotidianos muitas vezes atravessados por desigualdades persistentes”, afirmou a superintendente de conhecimento da Fundação Roberto Marinho, Rosalina Soares.

Juventude rural enfrenta mais exclusão escolar

O estudo também aponta disparidades significativas entre jovens urbanos e rurais.

Nas áreas rurais, 33% dos jovens estão fora da escola sem concluir a educação básica, índice mais que o dobro do registrado nas cidades. Além disso, a informalidade no mercado de trabalho atinge 69% das juventudes rurais, contra 41% dos jovens urbanos.

Entre povos indígenas, a taxa de analfabetismo é três vezes maior que a observada entre não indígenas. Apenas 42% dos jovens indígenas de 18 a 29 anos concluíram o ensino médio.

Já nas comunidades quilombolas, apesar do crescimento das matrículas, cerca de 30% dos estudantes apresentam atraso escolar.

Violência e discriminação afetam permanência na escola

O levantamento mostra que jovens negros sofrem violência urbana em uma proporção quatro vezes maior do que jovens brancos.

Entre jovens LGBTQIAPN+, episódios de agressões físicas, verbais e cyberbullying aparecem como fatores que impactam diretamente a permanência escolar e o desempenho educacional.

A chefe de Educação do UNICEF no Brasil, Mônica Dias Pinto, afirmou que desigualdades ligadas à raça, renda e território exigem políticas públicas mais integradas.

“Quando olhamos para as juventudes no Brasil, fatores interseccionais como cor, raça e renda ajudam a explicar por que as oportunidades não chegam do mesmo jeito para todas e todos”, destacou.

Jovens mães e trabalho infantil ampliam exclusão educacional

A pesquisa também identificou dificuldades específicas enfrentadas por jovens mães. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, 60,8% dos jovens entre 15 e 19 anos com filhos estão fora da escola sem concluir os estudos.

Além disso, cerca de 1,6 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos estavam em situação de trabalho infantil em 2024, segundo dados da PNAD Contínua.

Os organizadores defendem que o estudo sirva de base para políticas públicas voltadas à permanência escolar, proteção social, combate às desigualdades e ampliação do acesso ao trabalho digno para jovens vulneráveis.