31 de julho de 2025
BRASIL

Mortes com motocicletas crescem no Brasil e avanço dos apps preocupa pesquisadores, aponta Atlas da Violência

Número de óbitos envolvendo motos aumentou 22,6% em 10 anos, enquanto homicídios com armas de fogo registraram queda no país

Por Redação
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Mortes envolvendo moto aumentam com expansão da economia de aplicativo - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As mortes envolvendo motocicletas no trânsito brasileiro cresceram de forma significativa na última década, impulsionadas pela expansão da economia de aplicativos e pelo aumento do uso da moto como instrumento de trabalho. É o que aponta o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Em 2024, o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito, das quais 15.459 envolveram motocicletas — o equivalente a 41,6% de todos os óbitos em vias terrestres do país.

Em 2014, foram contabilizadas 43.780 mortes no trânsito, sendo 12.604 relacionadas a motocicletas, o que representava 28,7% do total. Na comparação entre os dois períodos, os óbitos com motos aumentaram 22,6%.

Apesar da redução de 20% no número total de mortes no trânsito ao longo de dez anos, os pesquisadores alertam para a alta acelerada dos acidentes fatais com motociclistas.

Economia de aplicativos mudou dinâmica da mobilidade

Segundo o estudo, a expansão dos serviços de entrega e transporte por aplicativo transformou a motocicleta em ferramenta de sobrevivência econômica para milhares de brasileiros, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Entre 2019 e 2024, as mortes envolvendo motocicletas cresceram 38%, passando de 11.182 para 15.459 vítimas fatais.

Os pesquisadores avaliam que jornadas longas, pressão por produtividade e ausência de proteção social tornam motociclistas de aplicativo um dos grupos mais vulneráveis à violência no trânsito.

De acordo com Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas da Violência e pesquisador do Ipea, o cenário é ainda mais preocupante entre os jovens, grupo mais exposto ao risco.

“O jovem ainda não está formado em sua capacidade de consequência e, em todas as situações, está mais exposto ao risco”, afirmou o pesquisador à Agência Brasil.

Cerqueira também destacou os riscos relacionados ao crescimento dos serviços de mototáxi, já que a exposição ao perigo passa a atingir não apenas o condutor, mas também os passageiros.

Nordeste lidera mortes com motocicletas

O levantamento aponta forte desigualdade regional nos acidentes fatais envolvendo motos.

No Piauí, por exemplo, as motocicletas estiveram envolvidas em 72,7% das mortes no trânsito em 2024 — percentual muito superior à média nacional de 41,6%.

Entre as medidas apontadas como urgentes para reduzir a mortalidade no trânsito estão:

  • redução dos limites de velocidade;
  • educação no trânsito;
  • melhoria da infraestrutura viária;
  • reforço da fiscalização;
  • atualização da legislação voltada aos trabalhadores de aplicativo.

Segundo os pesquisadores, o uso cada vez mais intenso da motocicleta exige novas regras e políticas públicas específicas para proteção dos profissionais.

Homicídios com armas de fogo caem no Brasil

Na contramão do aumento das mortes no trânsito com motos, os homicídios cometidos com armas de fogo apresentaram queda no Brasil.

Em 2024, foram registrados 29.870 assassinatos com armas de fogo, redução de 8,8% em relação a 2023 e de 31,2% na comparação com 2014.

A taxa nacional caiu para 14,1 homicídios por arma de fogo a cada 100 mil habitantes — retração de 35% em dez anos.

Mesmo assim, as armas de fogo ainda foram responsáveis por 70,1% dos homicídios registrados no país em 2024.

Entre os estados com maior participação das armas de fogo nos assassinatos estão:

  • Ceará: 85,6%;
  • Paraíba: 83,9%;
  • Amapá: 83,7%;
  • Bahia: 81,1%.

Já os menores percentuais foram registrados no Distrito Federal (40,6%), em Roraima (43,7%) e no Tocantins (49,8%).

O Atlas também mostra que, entre 2014 e 2024, apenas cinco estados registraram crescimento absoluto de homicídios cometidos com armas de fogo: Amapá, Roraima, Pernambuco, Piauí e Bahia.