31 de julho de 2025
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Atlas da Violência aponta aumento de casos de violência sexual infantil no Brasil

Levantamento mostra crescimento de notificações no Brasil entre 2014 e 2024

Por Redação
Publicado em
Atlas da Violência 2026 foi divulgado nesta terça-feira (26) - Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgaram nesta terça-feira (26) o Atlas da Violência 2026, estudo que aponta crescimento dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil entre 2014 e 2024.

Segundo o levantamento, os registros de violência sexual contra crianças de 0 a 4 anos passaram de 1.671 casos em 2014 para 7.845 notificações em 2024. Na faixa etária de 5 a 14 anos, os registros cresceram de 6.594 para 29.135 casos no mesmo período.

Entre adolescentes de 15 a 19 anos, os casos passaram de 1.632 para 6.869 notificações em 11 anos. O estudo aponta que cerca de dois terços das ocorrências envolvendo vítimas de até 14 anos aconteceram dentro da própria residência.

De acordo com o Atlas da Violência, crianças de 5 a 14 anos concentraram 66% dos registros de violência sexual em 2024. Já vítimas de 0 a 4 anos representaram 18% dos casos, enquanto adolescentes de 15 a 19 anos responderam por 16% das notificações.

O levantamento também aponta predominância de vítimas do sexo feminino. Segundo os dados, 86,9% das vítimas de violência sexual registradas no período eram meninas.

Os pesquisadores afirmam que fatores ligados a relações de gênero aparecem entre os principais elementos associados aos casos de violência sexual. O estudo também cita situações envolvendo pressão em relacionamentos, violência em ambientes virtuais e conteúdos compartilhados nas redes sociais.

Além da violência sexual, o Atlas da Violência analisou dados sobre suicídios e autolesões entre crianças e adolescentes. Segundo o levantamento, a taxa de suicídios entre pessoas de 10 a 19 anos aumentou 41,7% entre 2014 e 2024.

Os dados também mostram crescimento de 73% nas internações por lesões autoprovocadas no mesmo período. Entre os estados com maiores aumentos estão Tocantins, Roraima, Pará, Espírito Santo, Pernambuco e o Distrito Federal.

O estudo destaca que situações de negligência, violência doméstica e ausência de proteção podem estar relacionadas aos casos de sofrimento emocional, autolesões e suicídios entre crianças e adolescentes.

Especialistas recomendam fortalecimento das redes de apoio, acolhimento familiar e acesso aos serviços de saúde mental para prevenção da violência e acompanhamento psicológico.

Pessoas que precisarem de apoio emocional podem buscar atendimento em unidades de saúde, Centros de Atenção Psicossocial (Caps), hospitais, além do Centro de Valorização da Vida, que realiza atendimento pelo telefone 188.