Atlas da violência: Alagoas tem alta de 3,6% em homicídios e aparece como 4º estado mais violento do Brasil
Com o indicador fixado em 35,9 homicídios por 100 mil habitantes, o estado fica atrás do Amapá, Bahia e Pernambuco
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Alagoas registrou um aumento de 3,6% na sua taxa de homicídios na comparação entre os anos de 2023 e 2024, de acordo com os dados do Atlas da Violência divulgados nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com o indicador fixado em 35,9 homicídios por 100 mil habitantes, o estado se consolidou entre os cinco mais violentos do Brasil, sendo superado apenas por Amapá, Bahia e Pernambuco, e seguido de perto pelo Ceará.
O levantamento revela o tamanho da desigualdade regional no país, apontando que 18 estados apresentaram taxas de letalidade violenta acima da média nacional em 2024. No extremo oposto do ranking, as menores taxas de homicídios foram computadas em São Paulo, Santa Catarina, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Segundo o coordenador do Atlas e técnico do Ipea, Daniel Cerqueira, o país vive um processo de acomodação dos índices após o auge dos conflitos entre facções criminosas registrado nos anos de 2016 e 2017.
O recorte racial do estudo expõe uma realidade alarmante em solo alagoano: a taxa de homicídios entre a população negra atingiu o patamar de 48,9 por 100 mil habitantes. O relatório destaca que uma pessoa negra em Alagoas tem 23,3 vezes mais chances de ser assassinada do que uma pessoa não negra, o que representa a maior disparidade e desigualdade racial de violência letal registrada entre todas as unidades da federação.
O Ipea faz uma ressalva importante de que os indicadores reais de criminalidade podem ser ainda mais elevados. Isso ocorre devido ao crescimento das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), cenários em que o Estado não consegue identificar oficialmente a motivação ou a natureza do óbito. Procurada para se posicionar sobre o diagnóstico do Atlas, a assessoria da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) informou que os dados técnicos ainda passarão por análise interna antes de futuros esclarecimentos.