31 de julho de 2025
Levantamento

Atlas da Violência aponta que pessoas negras são as maiores vítimas de homicídio no Brasil

Levantamento reúne dados sobre homicídios, violência contra população LGBTQIA+, indígenas, idosos e pessoas com deficiência

Por Redação
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Atlas da Violência 2026 foi divulgado nesta terça-feira (26) - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgaram nesta terça-feira (26) o Atlas da Violência 2026, estudo que aponta desigualdades raciais e aumento de registros de violência contra minorias no Brasil.

Segundo o levantamento, 32.820 pessoas negras foram vítimas de homicídio em 2024, número que representa 77% do total de assassinatos registrados no país. A taxa foi de 27,3 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas negras, enquanto entre não negros o índice ficou em 10,1 homicídios por 100 mil habitantes.

O estudo aponta que a taxa de mortalidade por homicídio entre pessoas negras é 170,3% maior do que a registrada entre não negros. Entre 2014 e 2024, foram contabilizados 435.551 homicídios de pessoas negras no Brasil.

De acordo com o Atlas, uma pessoa negra tem 2,7 vezes mais chances de morrer vítima de homicídio do que uma pessoa não negra. Em Alagoas, o risco relativo chega a 23,3 vezes. Os outros maiores índices foram registrados no Amapá e em Sergipe.

O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, afirmou que os dados mostram crescimento da violência contra grupos minoritários.

Entre a população LGBTQIA+, o estudo aponta aumento nas notificações de violência. Em 2024, foram registrados 10.250 casos envolvendo homossexuais e bissexuais, além de 5.575 registros relacionados a pessoas transexuais e travestis.

Os dados mostram crescimento nas notificações de violência contra mulheres trans, travestis e pessoas bissexuais. O Atlas também destaca que pessoas negras representam a maioria das vítimas trans e travestis registradas no levantamento.

O estudo ainda aponta crescimento de casos de violência contra pessoas com deficiência. Segundo os dados, a violência sexual aparece entre os principais tipos de agressão contra pessoas com deficiência intelectual e transtornos mentais.

Entre crianças e adolescentes com deficiência, o levantamento aponta aumento de registros de negligência, violência sexual e violência física. Já entre adultos, a violência física aparece como principal forma de agressão.

O Atlas da Violência também apresenta dados sobre povos indígenas. Segundo o estudo, os homicídios de indígenas voltaram a crescer a partir de 2023, em meio a conflitos territoriais e disputas socioambientais.

No Amazonas, os homicídios de indígenas passaram de 36 casos em 2023 para 73 em 2024. Já na Bahia, o levantamento registrou crescimento dos assassinatos relacionados a novos focos de conflito.

A pesquisa aponta ainda aumento dos casos de violência física, sexual, psicológica e negligência contra mulheres indígenas entre 2014 e 2024.

Entre os idosos, o Atlas registrou crescimento de 226,3% nos casos de violência interpessoal notificados no sistema de saúde ao longo dos últimos 11 anos. Em 2024, foram registrados 30.097 casos de violência contra pessoas com mais de 60 anos.

O levantamento também destaca aumento das mortes por queda entre idosos. Segundo os dados, os óbitos relacionados a quedas cresceram desde os anos 2000, acompanhando o envelhecimento da população brasileira.

Os pesquisadores defendem a formulação de políticas públicas voltadas para enfrentamento da violência contra minorias, pessoas negras, indígenas, idosos, população LGBTQIA+ e pessoas com deficiência.