31 de julho de 2025
chantagem de fotos íntimas

Polícia Civil do Paraná desarticula quadrilha internacional de 'sextortion' que movimentou R$ 4 milhões

A ofensiva, que contou com o apoio do Ministério Justiça e Segurança Pública e de polícias civis de várias regiões, apura os crimes de extorsão majorada, organização criminosa e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos

Por Redação
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A ofensiva, que contou com o apoio do Ministério Justiça e Segurança Pública e de polícias civis de várias regiões, apura os crimes de extorsão majorada, organização criminosa e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos - Foto: Reprodução/PC-PR

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) deflagrou, nesta quinta-feira (21), uma operação contra uma organização criminosa transnacional, formada por brasileiros e estrangeiros, especializada em sextortion. Essa modalidade de golpe consiste em seduzir as vítimas na internet para, posteriormente, chantageá-las sob a ameaça de divulgar fotos e vídeos íntimos. Ao todo, a Justiça expediu cinco mandados de prisão e cinco de busca domiciliar que foram cumpridos nos estados do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Rio Grande do Norte e Paraíba. A ofensiva, que contou com o apoio do Ministério Justiça e Segurança Pública e de polícias civis de várias regiões, apura os crimes de extorsão majorada, organização criminosa e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos, cujas penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão.

As investigações começaram em 2024 a partir da denúncia de uma moradora da cidade de Palmas, no sul do Paraná, que foi alvo do bando e sofreu um prejuízo superior a R$ 60 mil. A vítima foi abordada nas redes sociais por um perfil falso em nome de “David Green”, que usava imagens de terceiros e se apresentava como um médico oncologista em missão de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Síria. Após um período de manipulação emocional e promessas de casamento, o golpista convenceu a mulher a enviar arquivos íntimos. Com o material em mãos e diante da desconfiança financeira da vítima, o criminoso passou a exigir quantias de até R$ 20 mil para não expor os registros na internet, usando desculpas falsas que iam desde a compra de passagens aéreas até multas por transporte de ouro na Áustria.

A apuração do Núcleo de Investigações Qualificadas revelou uma divisão de tarefas muito bem estruturada dentro da quadrilha. O núcleo operacional ficava no exterior, utilizando linhas telefônicas com o código de área (+234) da Nigéria para realizar a aproximação, sedução e a extorsão das vítimas. Já em solo nacional, o grupo contava com operadores financeiros responsáveis por ceder contas bancárias para receber, ocultar e dissimular os valores ilícitos, convertendo o dinheiro rapidamente em criptoativos. Em um período de apenas dois meses, o esquema movimentou quase R$ 4 milhões. Os dados bancários analisados permitiram à polícia identificar ao menos 20 vítimas com o mesmo padrão de golpe espalhadas por diversos estados brasileiros.