31 de julho de 2025
SENADO

“Eu não consigo falar”, reclama Galípolo após discussão com Calheiros em audiência sobre Banco Master

Debate sobre atuação do Banco Central e veto à venda do banco para o BRB elevou o tom na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado

Por Redação
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“Eu não consigo falar”, reclama Galípolo após discussão com Calheiros em audiência sobre Banco Master - Foto: Assessoria

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, protagonizou uma discussão acalorada com o senador Renan Calheiros (MDB-AL) durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta terça-feira (19).

A sessão tratava da decisão do Banco Central de impedir a venda do Banco Master ao Banco de Brasília e da posterior liquidação da instituição financeira.

O clima começou a ficar mais tenso após Galípolo defender a proposta de autonomia financeira do Banco Central. Segundo ele, a falta de reposição de servidores e o aumento de aposentadorias têm causado sobrecarga nas equipes da autarquia.

Renan Calheiros criticou a proposta e passou a questionar a condução do Banco Central no caso envolvendo o Banco Master. O senador afirmou que Galípolo teria se manifestado favoravelmente à operação de venda do banco ao BRB em outro momento.

O presidente do BC negou a informação e afirmou que a instituição sofreu pressão política enquanto analisava o caso.

“Houve pressão para aprovação da operação, inclusive com propostas defendendo minha saída do cargo”, declarou Galípolo durante a audiência.

Segundo ele, o Banco Central optou pela liquidação da instituição por considerar que não havia condições de recuperação financeira.

Durante o debate, Renan afirmou que Galípolo deveria ter reagido publicamente às articulações políticas que defendiam sua exoneração, classificando o silêncio como um erro grave diante da necessidade de preservar a autonomia da autoridade monetária.

Em resposta, o presidente do Banco Central disse que a função da instituição não é atuar politicamente ou transformar decisões técnicas em disputa pública.

“O Banco Central não existe para fazer espetáculo ou atuar em rede social. Nosso papel foi tomar a decisão que consideramos correta”, afirmou.

A discussão acabou provocando um tumulto entre os senadores presentes na comissão, com falas simultâneas e interrupções durante a manifestação de Galípolo.

Em meio ao bate-boca, o presidente do BC reclamou da dificuldade para concluir suas respostas.

“Eu não consigo falar. Eu queria só um minuto para concluir”, disse.

A liquidação do Banco Master e o veto à venda para o BRB ocorreram no fim do ano passado e tiveram forte repercussão no mercado financeiro e no meio político.