31 de julho de 2025
TRAGÉDIA

Agricultor desaparece após cair no Rio Capibaribe durante abertura de barragem em Pernambuco

Homem de 50 anos foi arrastado pela correnteza em Lagoa do Carro após abertura da Barragem de Carpina; moradores protestaram contra falta de aviso

Por Redação
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Marcelo Francisco Silva, de 50 anos, morreu após abertura da Barragem de Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernambuco - Foto: Reprodução/Acervo pessoal/TV Globo

Um agricultor de 50 anos desapareceu após cair no Rio Capibaribe, no município de Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, após a abertura da Barragem de Carpina, realizada em meio ao aumento do volume de água provocado pelas chuvas que atingiram o estado nas últimas semanas.

A vítima foi identificada como Marcelo Francisco Silva, trabalhador rural que desapareceu na manhã da sexta-feira (15), enquanto atravessava uma ponte em uma fazenda localizada na região onde trabalhava. Segundo familiares e testemunhas, Marcelo foi surpreendido pela força da correnteza e acabou sendo arrastado pelas águas.

O acidente ocorreu após a abertura de uma comporta da barragem, que, segundo a Secretaria de Recursos Hídricos de Pernambuco, foi elevada em 70 centímetros. O órgão, no entanto, não informou oficialmente o horário exato da operação.

De acordo com relatos de amigos e parentes, Marcelo atravessava a ponte junto a outros trabalhadores na propriedade conhecida como “Fazenda de Dunga”, quando perdeu o equilíbrio e caiu no rio. Um dos colegas, identificado apenas como Dinho, contou que o grupo retornava para almoçar quando percebeu que a água já começava a cobrir parte da passagem.

“Foi quando a gente voltou para almoçar. A barragem estava cheia, aí passamos e ele ficou atrás”, relatou o trabalhador.

Segundo a irmã da vítima, Sandra Maria da Silva, Marcelo estava acompanhado de três colegas de trabalho e chegou a hesitar ao perceber a força da correnteza. Ela afirmou que um dos trabalhadores chegou a pedir que ele aguardasse do outro lado até que encontrassem uma forma mais segura de ajudá-lo a atravessar.

“Nesse momento de desespero, quando viu os colegas conseguirem passar, ele tentou também. Um deles pediu que Marcelo esperasse, mas, infelizmente, no desespero, ele foi tentar tirar a bota e a correnteza puxou ele”, contou Sandra.

Ainda conforme testemunhas, um dos homens chegou a pular no rio para tentar resgatá-lo, mas precisou desistir devido à força da água.

Marcelo morava com a mãe no Sítio Chão de Santana 2, em Lagoa do Carro, e, segundo familiares, não sabia nadar. Emocionada, a irmã afirmou que a família já perdeu as esperanças de encontrá-lo vivo.

“A gente já perdeu a esperança de encontrar ele com vida. Mas quero que ache o corpo para pelo menos enterrar”, desabafou.

Buscas são dificultadas pela força da correnteza

O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco segue realizando buscas pelo agricultor, mas as operações dentro da água precisaram ser interrompidas temporariamente devido à intensidade da correnteza.

Segundo os bombeiros, o trabalho tem sido feito com monitoramento das margens do rio, uso de drones e apoio de aeronave do Grupamento Tático Aéreo (GTA). As buscas submersas não estão sendo realizadas neste momento por questões de segurança.

Família questiona falta de aviso sobre abertura da barragem

Familiares da vítima afirmam que não houve aviso prévio aos trabalhadores da região sobre a abertura da Barragem de Carpina. Segundo Sandra, a medida costuma ocorrer todos os anos, mas, desta vez, moradores e funcionários teriam sido pegos de surpresa.

“Todo ano acontece de abrir a comporta, mas, dessa vez, não avisaram aos trabalhadores que estavam do outro lado trabalhando”, afirmou.

Neste sábado (16), moradores de Lagoa do Carro realizaram um protesto na PE-90, próximo à barragem. Manifestantes queimaram pneus e interditaram a rodovia, cobrando esclarecimentos das autoridades sobre o caso.

Governo de Pernambuco diz que protocolo foi seguido

Em nota, o Governo de Pernambuco informou que o Protocolo de Controle de Cheias – Operação Carpina foi cumprido integralmente, incluindo a comunicação antecipada aos municípios, órgãos competentes, Defesa Civil, imprensa e população.

Segundo o estado, a notificação teria ocorrido por e-mails oficiais, redes sociais e grupos institucionais de WhatsApp da Defesa Civil. No entanto, o secretário de Infraestrutura de Lagoa do Carro, Neo Amorim, afirmou que o município não recebeu qualquer comunicação oficial, alegando que a única informação chegou por meio de um grupo de mensagens.

“Grupo de WhatsApp não é maneira oficial de comunicar o município”, criticou o secretário.

O governo também afirmou que a decisão de manter as comportas abertas considera a segurança das comunidades ribeirinhas, já que mudanças bruscas no fluxo do rio poderiam provocar novos riscos em outras áreas da bacia do Capibaribe.