31 de julho de 2025
estudo

Copa de 2026: Cientistas alertam para risco de calor extremo em partidas

Esse índice representa quase o dobro do risco registrado no Mundial de 1994, também disputado em solo americano, evidenciando o impacto do aquecimento global nas últimas décadas

Por Redação
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Esse índice representa quase o dobro do risco registrado no Mundial de 1994, também disputado em solo americano, evidenciando o impacto do aquecimento global nas últimas décadas - Foto: Divulgação/Fifa

O sindicato global de jogadores de futebol (FIFPRO) renovou, nesta quinta-feira (14), o alerta sobre os riscos do calor extremo durante a Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá. Uma análise do grupo de pesquisa climática World Weather Attribution revelou que aproximadamente um quarto das 104 partidas do torneio poderá ocorrer sob temperaturas que ultrapassam os limites de segurança recomendados para a prática esportiva. Esse índice representa quase o dobro do risco registrado no Mundial de 1994, também disputado em solo americano, evidenciando o impacto do aquecimento global nas últimas décadas.

O estudo baseou-se no índice Wet Bulb Globe Temperature (WBGT), que avalia a capacidade de resfriamento do corpo humano sob calor e umidade. Segundo os pesquisadores, pelo menos cinco jogos podem acontecer em condições tão extremas que o adiamento seria a medida mais segura. O diretor médico da FIFPRO, Vincent Gouttebarge, afirmou que os dados corroboram as projeções feitas pela entidade em 2023 e reforçam a necessidade urgente de estratégias de mitigação para proteger a saúde e o desempenho dos atletas. A recomendação da entidade é que medidas de resfriamento sejam adotadas a partir de 26°C de WBGT, com suspensão de atividades caso o índice supere os 28°C.

Em resposta, a Fifa afirmou que possui um planejamento robusto para enfrentar o clima, incluindo pausas obrigatórias para hidratação, infraestrutura de resfriamento nos estádios e adaptação dos ciclos de descanso. Especialistas consultados pelo estudo, como o professor Chris Mullington, do Imperial College London, acreditam que o calor extremo deve forçar um estilo de jogo mais conservador, já que atletas de elite tendem a dosar o ritmo para evitar o superaquecimento do corpo. A análise destaca que, embora arenas climatizadas em cidades como Dallas e Houston ofereçam proteção, locais como Miami, Kansas City e Nova York — onde será disputada a final — apresentam riscos elevados em estádios sem ar-condicionado.

A decisão de manter o torneio no auge do verão do Hemisfério Norte foi criticada pela professora de ciência climática Friederike Otto. Para a pesquisadora, do ponto de vista da saúde pública, seria aconselhável que a Fifa reconsiderasse o calendário de futuras competições em regiões vulneráveis, deslocando os jogos para períodos menos quentes do ano. Além dos atletas, a FIFPRO demonstrou preocupação com os torcedores e trabalhadores do evento, que estarão expostos a longas jornadas de calor em deslocamentos e festivais ao ar livre, onde os sistemas de refrigeração dos estádios não alcançam.