MP Militar abre inquérito para apurar denúncias de abuso sexual e tortura em quartel do Exército em Maceió
Investigação apura relatos de ex-soldados sobre agressões e humilhações no 59º Batalhão de Infantaria Motorizado; sete militares devem ser ouvidos
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O Ministério Público Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar denúncias de abuso sexual, tortura e agressões atribuídas a militares do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado, em Maceió.
O procedimento foi aberto após relatos de dois ex-soldados do Exército Brasileiro, que afirmam ter sido vítimas de violência e humilhações durante o período em que serviram na unidade. Os depoimentos foram divulgados em abril e motivaram a abertura da apuração formal.
Segundo as denúncias, um dos ex-militares relatou ter sido exposto a situações de constrangimento sexual dentro do quartel, além de sofrer impactos psicológicos decorrentes dos episódios. Outro caso mencionado envolve agressões físicas e humilhações que, segundo a acusação, teriam ocorrido dentro da própria unidade militar.
Os dois ex-soldados serão os primeiros a prestar depoimento no âmbito do inquérito nesta quinta-feira (14). De acordo com a defesa das vítimas, sete militares citados nas denúncias também devem ser ouvidos ao longo da investigação.
O advogado das vítimas, Alberto Jorge, afirmou que a abertura do IPM representa um avanço após uma sindicância interna do Exército considerada insuficiente pela defesa. Ele também sustenta que alguns dos militares envolvidos já teriam reconhecido parte das condutas descritas, classificadas por eles como “brincadeiras”.
Entre os episódios investigados está a denúncia de que um dos ex-soldados teria sido imobilizado, despido e agredido dentro de uma câmara fria da unidade, situação apontada pela defesa como possível prática de tortura.
Ao final do inquérito, o Ministério Público Militar poderá decidir pelo oferecimento de denúncia à Justiça Militar da União. O Exército informou que já instaurou procedimento administrativo sobre o caso, com punições e desligamento de militares envolvidos, e afirmou não admitir condutas incompatíveis com seus princípios e valores.