31 de julho de 2025
ALAGOAS

MP cobra Prefeitura de União dos Palmares por irregularidades no pagamento de agentes de saúde

Ministério Público recomenda adequação imediata ao piso salarial constitucional de agentes comunitários e de combate às endemias

Por Redação
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Prefeitura de União dos Palmares, Alagoas. - Foto: Reprodução

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) instaurou um procedimento administrativo e expediu recomendação formal à Prefeitura de União dos Palmares para que regularize o pagamento dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE), adequando os vencimentos ao piso salarial previsto na Constituição Federal.

A medida foi adotada pela promotora de Justiça Jheise de Fátima Lima da Gama, titular da 2ª Promotoria de Justiça de União dos Palmares, e publicada no Diário Oficial do Ministério Público nesta terça-feira (12). A atuação do órgão ocorre após denúncia apresentada pelo Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias de Alagoas (SINDACS/AL), que apontou supostas irregularidades no pagamento do piso salarial e do Incentivo Financeiro Variável (IFV) aos servidores do município.

Segundo o Ministério Público, a investigação apura se a gestão municipal estaria descumprindo a Emenda Constitucional nº 120/2022, que estabeleceu o piso nacional da categoria em dois salários mínimos como vencimento-base. O entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), já consolidado sobre o tema, determina que esse valor não pode ser atingido mediante a soma de gratificações, bônus ou verbas temporárias.

De acordo com a promotoria, o Município de União dos Palmares estaria utilizando justamente a composição de parcelas variáveis para alcançar o valor mínimo da remuneração, prática considerada incompatível com o entendimento constitucional vigente.

Prefeitura tem prazo para regularizar situação

Na recomendação expedida pelo MP, a prefeitura terá 30 dias para garantir que o vencimento básico dos agentes não seja inferior ao piso constitucional, sem a utilização de adicionais ou vantagens transitórias para completar o valor.

Além disso, o município deverá assegurar que o pagamento do Incentivo Financeiro Variável seja realizado conforme critérios legalmente estabelecidos, sem imposição de exigências extras e garantindo tratamento isonômico entre servidores efetivos e contratados.

O Ministério Público também determinou que, no prazo de 20 dias, a gestão municipal apresente documentação detalhada com demonstrativos atualizados da remuneração de todos os profissionais da categoria, discriminando vencimento-base, gratificações e demais parcelas salariais. O município ainda deverá encaminhar os atos normativos que regulamentam o pagamento do incentivo financeiro.

Caso as recomendações não sejam atendidas, o MPAL informou que poderá adotar medidas extrajudiciais ou judiciais para assegurar o cumprimento da legislação e a proteção dos direitos dos servidores.