Acusados do “Caso Pix” ficam em silêncio e fase de instrução chega ao fim em Salvador
Jornalistas Marcelo Castro e Jamerson Oliveira abriram mão de depor; processo entra agora na fase final antes da sentença
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A fase de instrução do processo que apura o chamado “Caso Pix” foi encerrada nesta quinta-feira (7), no Fórum Criminal de Salvador, após os acusados optarem pelo silêncio durante audiência conduzida pelo juiz Waldir Viana.
Entre os réus estão os jornalistas Marcelo Castro e Jamerson Oliveira, investigados por participação em um esquema que teria desviado doações feitas por telespectadores durante campanhas exibidas na televisão baiana.
Segundo relatos da audiência, os acusados permaneceram calados durante toda a sessão. Marcelo Castro e Jamerson Oliveira demonstraram tensão e permaneceram cabisbaixos em grande parte do interrogatório.
Defesa tentou adiar audiência
Antes do encerramento da fase de instrução, a defesa de Marcelo Castro tentou suspender a audiência alegando ausência de uma testemunha considerada indispensável.
O profissional, um cinegrafista, estaria incomunicável após perda de um familiar.
O pedido, no entanto, foi negado pelo juiz Waldir Viana, que destacou que a defesa não informou endereço da testemunha nos autos, impossibilitando eventual condução coercitiva.
O magistrado classificou a tentativa como infundada e afirmou que não seria possível admitir manobras para provocar nulidades processuais.
Acusação aponta tentativa de protelar processo
Os advogados dos réus também alegaram dificuldades para acessar áudios de depoimentos e relatórios financeiros da investigação.
O assistente de acusação, Gamil Foppel, rebateu os argumentos e afirmou que os documentos estavam disponíveis às partes desde o início do processo.
Segundo ele, houve tentativa clara de procrastinar o andamento da ação penal.
Para a acusação, a autoria e a materialidade dos crimes já estão suficientemente comprovadas.
Entenda o “Caso Pix”
As investigações apontam que o grupo teria utilizado campanhas televisivas de arrecadação para desviar parte significativa das doações feitas pelo público.
De acordo com as apurações, o esquema teria funcionado durante um ano e cinco meses.
Ao todo, cerca de R$ 543 mil foram arrecadados nas campanhas investigadas.
Desse valor, aproximadamente R$ 407 mil teriam sido desviados, o equivalente a 75% das doações recebidas.
As investigações começaram após a emissora identificar inconsistências em transferências de alto valor, incluindo uma doação feita pelo jogador Anderson Talisca.
Após auditoria interna, a emissora demitiu Marcelo Castro e Jamerson Oliveira por justa causa.
Os envolvidos respondem por apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo o processo, 12 famílias teriam sido diretamente prejudicadas pelo esquema.
Com o encerramento da instrução criminal, o processo segue agora para apresentação de diligências complementares e alegações finais das partes.
Após essa etapa, o caso estará pronto para sentença judicial.