31 de julho de 2025
CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Irã diz que proposta de paz dos EUA tem pontos “inaceitáveis” e tensão segue no Estreito de Ormuz

Governo iraniano afirma que ainda analisa memorando apresentado pelos Estados Unidos, enquanto Donald Trump volta a fazer ameaças militares

Por Redação
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O presidente Donald Trump discursa antes de assinar uma proclamação no Salão Oval da Casa Branca, na terça-feira, 5 de maio de 2026, em Washington. - Foto: Reprodução/TV Globo

O governo do Irã afirmou nesta quarta-feira (6) que a proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos contém pontos considerados “inaceitáveis”, aumentando as incertezas sobre um possível acordo para encerrar a escalada de tensão entre os dois países.

Segundo uma fonte iraniana ouvida pela agência Tasnim, Teerã ainda não apresentou resposta oficial ao memorando enviado por Washington, mas o entendimento atual dentro do governo é de que o acordo dificilmente será fechado nos termos apresentados.

“O Irã ainda não respondeu à proposta dos EUA, que contém alguns pontos inaceitáveis”, declarou a autoridade sob condição de anonimato.

A fala ocorre poucas horas após o site Axios divulgar que os dois países estariam próximos de um entendimento diplomático. Segundo a publicação, os Estados Unidos aguardam uma resposta iraniana nas próximas 48 horas.

O memorando citado teria apenas uma página e incluiria pontos sensíveis como flexibilização parcial das restrições ao enriquecimento de urânio pelo Irã, suspensão de sanções econômicas americanas e liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados.

Outro ponto central da proposta envolve o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. O acordo também preveria suspensão de bloqueios marítimos e garantia de navegação segura na região.

Mais cedo, a Marinha da Guarda Revolucionária iraniana afirmou que o estreito está “seguro para navegação”, um dia após o presidente Donald Trump anunciar uma suspensão temporária das operações militares americanas na área.

Apesar disso, o clima diplomático segue longe de um consenso. O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, reagiu duramente às informações sobre o acordo.

“O Irã tem o dedo no gatilho e está pronto”, escreveu o parlamentar na rede social X, afirmando ainda que os Estados Unidos “não conseguirão em negociações o que não obtiveram em uma guerra fracassada”.

Trump também voltou a endurecer o discurso nesta quarta-feira. O presidente norte-americano afirmou que encerrará o conflito caso o Irã “cumpra o combinado”, mas alertou que novas ações militares poderiam ser “muito maiores” caso não haja entendimento.

Em meio às ameaças e negociações, o Ministério das Relações Exteriores iraniano confirmou oficialmente apenas que a proposta americana está sendo analisada internamente.

Analistas internacionais avaliam que um dos maiores obstáculos para o acordo é justamente a fragmentação do poder político iraniano, onde diferentes grupos militares, religiosos e políticos possuem forte influência nas decisões estratégicas do país.

O temor de autoridades americanas, segundo veículos internacionais, é que eventuais brechas no memorando permitam uma retomada futura das hostilidades mesmo após um acordo preliminar.