Governo Lula lança Desenrola Brasil 2.0 com juros baixos, descontos de até 90% e bloqueio em bets
Nova fase do programa de renegociação de dívidas permitirá uso do FGTS e mira famílias endividadas em cenário de juros elevados
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança nesta segunda-feira (4), no Palácio do Planalto, o Desenrola Brasil 2.0, nova versão do programa de renegociação de dívidas criado em 2023.
A iniciativa amplia as possibilidades de negociação para dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), com juros de até 1,99% ao mês e descontos que podem chegar a 90%.
Entre as novidades anunciadas pelo governo está o bloqueio de beneficiários em plataformas de apostas online, conhecidas como bets, pelo período de um ano. A medida foi antecipada pelo presidente durante pronunciamento no Dia do Trabalhador.
“Quem aderir ao Novo Desenrola Brasil ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas on-line”, afirmou Lula, ao justificar a iniciativa como forma de evitar o agravamento do endividamento.
Outro ponto central do programa é a possibilidade de uso do FGTS para quitar dívidas. Os beneficiários poderão utilizar até 20% do saldo disponível, com transferência direta entre instituições financeiras para garantir que o recurso seja destinado ao pagamento dos débitos.
Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o impacto estimado do programa é de R$ 4,5 bilhões no FGTS, com um limite de até R$ 8 bilhões em saques vinculados à iniciativa.
A proposta, no entanto, tem gerado críticas de setores econômicos. Entidades como a Abrainc alertam que o uso do fundo pode comprometer investimentos no setor habitacional e reduzir a reserva financeira dos trabalhadores.
O governo, por sua vez, afirma que o impacto será limitado. De acordo com Luiz Marinho, o volume previsto representa menos de 1% do saldo total do fundo e não deve afetar programas como o Minha Casa, Minha Vida.
O lançamento do programa ocorre em um contexto de alto endividamento das famílias brasileiras. Dados do Banco Central do Brasil apontam que, em fevereiro, o índice de endividamento atingiu 49,9% — o maior nível da série histórica iniciada em 2005.
Além disso, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas também bateu recorde, chegando a 29,7%.
Segundo o Ministério da Fazenda, o Desenrola Brasil 2.0 pode ter novas fases voltadas a públicos específicos, como trabalhadores informais e pequenas empresas. Nesta etapa inicial, o foco está nas pessoas físicas.