31 de julho de 2025
PERNAMBUCO

“Palhaço Pitombinha”: idoso levado pela correnteza no Recife era símbolo de solidariedade na comunidade

Conhecido no bairro de Beberibe, Edivaldo era querido pelos moradores e costumava ajudar vizinhos em períodos de chuva

Por Redação
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Edvaldo Pinto dos Santos tinha 70 anos - Foto: Acervo pessoal/Divulgação

A morte do idoso Edivaldo Pinto dos Santos, de 70 anos, comoveu moradores do bairro de Beberibe, na Zona Norte do Recife. Conhecido como “Tombinha” ou “Palhaço Pitombinha”, ele foi encontrado sem vida neste domingo (3), após desaparecer durante as fortes chuvas que atingiram a capital pernambucana na última sexta-feira (1º).

Figura popular na comunidade, Edivaldo era lembrado pela simplicidade, alegria e disposição em ajudar. Mesmo aposentado, continuava atuando como palhaço em ruas e eventos locais, mantendo viva uma identidade que marcou sua trajetória.

Familiares relatam que Edivaldo era reconhecido pelo espírito solidário, especialmente em momentos difíceis, como enchentes. Morando há mais de 10 anos em uma área afetada por alagamentos, ele já estava acostumado à rotina das cheias.

“Ele sempre ajudava quando tinha enchente. Era muito conhecido por isso”, contou a filha, Ranielly Santos.

Além da atuação como artista de rua, ele também trabalhava divulgando comércios locais, reforçando sua presença no cotidiano do bairro.

Na sexta-feira, durante o pico do temporal, Edivaldo entrou em uma área alagada próxima ao rio Beberibe. Segundo a família, ele chegou a sair da água em uma primeira tentativa, mas acabou sendo arrastado pela correnteza ao retornar.

Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o momento em que ele pulou no rio, prática que, segundo moradores, era comum em períodos de cheia — embora extremamente perigosa.

O corpo foi localizado neste domingo (3) depois por amigos da família, após buscas intensas realizadas com apoio do Corpo de Bombeiros de Pernambuco.

Nos últimos meses, familiares já percebiam mudanças no comportamento de Edivaldo, com lapsos de memória que levantavam suspeitas de um possível quadro de Doença de Alzheimer.

Apesar disso, ele mantinha autonomia e resistia à ideia de deixar a casa onde vivia. “Ele era muito independente, não queria sair dali”, relatou a filha.

O corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML), e o sepultamento está previsto para esta segunda-feira (4).

Edivaldo deixa quatro filhos e uma história marcada pela conexão com a comunidade. “Todo mundo amava o Palhaço Pitombinha. Ele sempre ajudava as pessoas”, disse a filha.

A tragédia ocorre em meio ao cenário crítico causado pelas fortes chuvas em Pernambuco. Ao menos seis pessoas morreram na Região Metropolitana do Recife em decorrência de deslizamentos e enxurradas.

A governadora Raquel Lyra decretou situação de emergência em 27 municípios para acelerar ações de resposta e assistência às vítimas.

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