Petrobras aumenta em 18% o preço do querosene de aviação e impacto pode chegar às passagens aéreas
Reajuste de R$ 1 por litro ocorre em meio à alta global do petróleo e pressiona custos das companhias aéreas
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A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (1º) um reajuste médio de 18% no preço do querosene de aviação (QAV), equivalente a um aumento de aproximadamente R$ 1 por litro em relação ao valor praticado no mês anterior. O combustível é um dos principais insumos do setor aéreo e pode impactar diretamente o preço das passagens.
O QAV, derivado do petróleo utilizado por aviões e helicópteros, representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas.
Parcelamento do reajuste busca aliviar impacto no setor
Assim como ocorreu no mês anterior — quando o aumento chegou a 55% —, a Petrobras informou que permitirá o parcelamento do reajuste em até seis vezes para distribuidoras que atendem à aviação comercial. A primeira parcela está prevista para julho de 2026.
De acordo com a estatal, a medida tem como objetivo preservar a demanda e reduzir os impactos financeiros sobre o setor aéreo, mantendo o equilíbrio nas contas da empresa.
Alta do petróleo impulsiona reajuste
O aumento do QAV ocorre em um cenário de forte pressão no mercado internacional de energia, impulsionado pela guerra no Irã, iniciada em fevereiro. O conflito envolve tensões com os Estados Unidos e Israel e afeta diretamente rotas estratégicas globais.
Um dos principais pontos de tensão é o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. O bloqueio parcial da região tem afetado a logística global e pressionado os preços.
Como reflexo, o barril do petróleo tipo Brent — referência internacional — chegou a ser negociado próximo de US$ 120, ante cerca de US$ 70 antes do conflito, uma alta superior a 70%.
Como funciona o preço do QAV
A Petrobras explicou que o preço do combustível é definido mensalmente, sempre no dia 1º, com base em uma fórmula adotada há mais de 20 anos. O modelo busca equilibrar os preços entre os mercados nacional e internacional e funciona como um “amortecedor” de variações bruscas.
A estatal também destacou que, em mercados internacionais, onde os reajustes são mais frequentes, os aumentos recentes foram ainda maiores que os registrados no Brasil.
Atualmente, a Petrobras responde por cerca de 85% da produção de QAV no país, embora o mercado seja aberto à concorrência de outras empresas.
Governo tenta conter impacto com medidas emergenciais
Para reduzir os efeitos do aumento sobre o setor aéreo — e evitar repasses elevados ao consumidor —, o governo federal adotou medidas emergenciais.
Entre elas está a isenção temporária de tributos federais, como PIS e Cofins, válida até 31 de maio. Além disso, foram anunciadas outras ações:
- adiamento do pagamento de tarifas de navegação aérea à Força Aérea;
- liberação de R$ 9 bilhões em crédito para companhias aéreas, com recursos operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil.
Efeito pode chegar ao consumidor
Com o combustível representando quase metade dos custos das companhias, o reajuste acende um alerta para possível alta no preço das passagens aéreas, especialmente em um momento de instabilidade internacional.
O cenário reforça a dependência do setor aéreo em relação ao mercado global de petróleo e os desafios para manter tarifas acessíveis diante de crises geopolíticas.