31 de julho de 2025
ECONOMIA

Inflação do aluguel dispara e IGP-M sobe 2,73% em abril, maior alta desde 2021

Guerra no Oriente Médio pressiona combustíveis e impacta preços no Brasil, elevando custos para consumidores e setor produtivo

Por Redação
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Guerra faz IGP-M de 2,73% em abril ser o maior desde maio de 2021 - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo

A chamada “inflação do aluguel” voltou a subir com força no Brasil. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou alta de 2,73% em abril, o maior resultado mensal desde maio de 2021, segundo dados divulgados pelo Fundação Getulio Vargas.

O avanço expressivo do indicador foi impulsionado, principalmente, pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo, refletindo diretamente no custo dos combustíveis e, consequentemente, em toda a cadeia econômica.

Em março, o índice havia subido apenas 0,52%, enquanto em abril do ano passado a alta foi de 0,24%. No acumulado de 12 meses, o IGP-M soma 0,61%, interrompendo uma sequência de cinco meses de deflação.

Combustíveis puxam alta e pressionam economia

De acordo com o economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), o conflito na região do Estreito de Ormuz teve impacto direto nos preços.

Entre os principais aumentos registrados em abril estão:

  • - Gasolina: 6,29%
  • - Diesel: 14,93%
  • - Tomate: 13,44%
  • - Leite longa vida: 9,20%

A alta dos combustíveis tem efeito cascata, elevando custos de transporte e encarecendo produtos, especialmente alimentos, devido ao aumento do frete.

Entenda o impacto da guerra no petróleo

O cenário de pressão começou após a escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com reflexos diretos no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

A ameaça de bloqueio da região afetou a oferta global de petróleo, elevando os preços internacionais. Como combustíveis são commodities, o impacto chega rapidamente ao Brasil, mesmo sendo um país produtor.

Componentes do IGP-M

O índice é composto por três indicadores principais:

  • IPA (60%): inflação ao produtor, que subiu 3,49% em abril
  • IPC (30%): inflação ao consumidor, com alta de 0,94%
  • INCC (10%): custo da construção, que avançou 1,04%

O IPA foi o principal responsável pela alta do mês, refletindo o aumento das matérias-primas e produtos ligados à cadeia petroquímica.

Por que o IGP-M afeta o aluguel?

O IGP-M é amplamente utilizado como base para reajuste de contratos de aluguel no Brasil, além de tarifas públicas e serviços.

Com a alta registrada em abril, há expectativa de pressão sobre os preços imobiliários nos próximos meses, impactando diretamente o bolso de milhões de brasileiros.