31 de julho de 2025
RISCO A DEMOCRACIA

MP de Alagoas investiga e recomenda suspensão de edital para escolha de diretores em União dos Palmares

Promotoria aponta possíveis irregularidades e risco à gestão democrática; município pode enfrentar ação judicial

Por Redação
Publicado em
Prefeitura de União dos Palmares, Alagoas. - Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) abriu investigação e recomendou a suspensão do edital que regulamenta a escolha de diretores e vice-diretores das escolas da rede municipal de União dos Palmares. As medidas foram adotadas pela 2ª Promotoria de Justiça do município diante de indícios de irregularidades no processo conduzido pela Secretaria Municipal de Educação.

A atuação do órgão ocorre em duas frentes: a instauração de um procedimento administrativo para apurar a legalidade do Edital nº 001/2026 e a expedição de recomendação formal para que o município suspenda imediatamente o processo ou promova sua adequação às leis vigentes.

A investigação é conduzida pela promotora Jheise de Fátima Lima da Gama, que aponta possível extrapolação do poder regulamentar da administração pública. Segundo o Ministério Público, o edital teria criado etapas eliminatórias e classificatórias — como certificações obrigatórias, provas de conhecimento e análise de títulos — sem previsão na legislação municipal.

De acordo com as normas locais, especialmente a Lei nº 1.500/2023, a escolha dos gestores escolares deve ocorrer por meio de eleição direta, com participação da comunidade escolar. Já a Lei nº 1.661/2025 apenas ampliou, de forma excepcional, a participação de servidores contratados, sem alterar o modelo democrático de escolha.

Para o MP, as exigências impostas no edital podem restringir a participação de candidatos, ferir o princípio da isonomia e comprometer a gestão democrática do ensino público, prevista na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

O que o MP determinou

Na recomendação, a Promotoria orienta que o município adote uma das seguintes medidas: sSuspender imediatamente os efeitos do edital ou promover a adequação integral do documento às leis municipais.

Entre os pontos que devem ser corrigidos estão a retirada de exigências não previstas em lei, a garantia de igualdade entre os candidatos e o acesso amplo a informações necessárias para elaboração de propostas de gestão.

Além disso, o procedimento administrativo prevê a coleta de documentos, análise técnica do edital e acompanhamento prioritário do caso, devido ao possível impacto em direitos coletivos ligados à educação.

Risco de ação judicial

O Ministério Público alertou que o não cumprimento da recomendação poderá resultar na adoção de medidas judiciais, incluindo o ajuizamento de Ação Civil Pública para suspender o edital, declarar sua nulidade e responsabilizar agentes públicos envolvidos.

O caso intensifica o debate sobre transparência e legalidade na condução de políticas educacionais no município e pode ter desdobramentos diretos na escolha dos gestores escolares em União dos Palmares.