31 de julho de 2025
economia

Estudo aponta que Brasil pode perder R$ 47 bilhões ao priorizar petróleo na Foz do Amazonas

Análise indica que investimentos em energia renovável e biocombustíveis trariam maior retorno à sociedade

Por Redação
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Levantamento estima prejuízo de R$ 22,2 bilhões - Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

O Brasil pode deixar de ganhar até R$ 47 bilhões ao priorizar a exploração de petróleo na região da Foz do Amazonas, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira (23) pelo WWF-Brasil.

De acordo com a análise, a perda resulta da combinação entre os custos da exploração de combustíveis fósseis e a ausência de investimentos em alternativas como energias renováveis e biocombustíveis. O levantamento estima prejuízo de R$ 22,2 bilhões com a atividade petrolífera na Margem Equatorial, somado a R$ 24,8 bilhões que deixariam de ser gerados com a eletrificação da matriz energética.

O estudo utilizou a metodologia de Análise Socioeconômica de Custo-Benefício, que considera impactos amplos para a sociedade, incluindo governo, empresas e população, e não apenas o retorno financeiro direto.

A projeção leva em conta um período de 40 anos, incluindo a fase inicial de exploração e o início da produção em larga escala. Nesse cenário, seriam explorados cerca de 900 milhões de barris de petróleo, com produção estimada de até 120 mil barris por dia.

Apesar da possibilidade de lucro para empresas do setor, o levantamento destaca os custos sociais associados, especialmente as emissões de gases de efeito estufa. A estimativa é de 446 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, o que pode gerar impactos econômicos entre R$ 21 bilhões e R$ 42 bilhões.

Quando considerados esses fatores, o saldo líquido da exploração na região seria negativo, segundo os pesquisadores.

O estudo também comparou o cenário do petróleo com alternativas energéticas. No caso da eletrificação, com uso de fontes como energia eólica, solar, biomassa e biogás, o retorno estimado seria positivo, com ganhos próximos de R$ 25 bilhões ao longo do mesmo período.

Já o uso de biocombustíveis, como etanol, biodiesel e biometano, também apresentou custos menores em relação aos impactos ambientais, resultando em um cenário mais vantajoso que o dos combustíveis fósseis.

A chamada Margem Equatorial, que inclui a região entre o Amapá e o Pará, é considerada uma nova fronteira de exploração de petróleo no país e possui grande biodiversidade. Para a Petrobras, a área é estratégica para manter a produção nacional no futuro.

O governo federal defende que a exploração pode ajudar a financiar a transição energética. Já especialistas alertam para os riscos ambientais e econômicos de priorizar combustíveis fósseis em um cenário global de mudanças climáticas.