Bocas de fumo no Google Maps: pontos de tráfico aparecem como “lojas” e surpreendem usuários
Cadastro irregular expõe venda de drogas como estabelecimentos comerciais e levanta debate sobre segurança e tecnologia
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Pontos de venda de drogas, conhecidos como “bocas de fumo”, têm chamado atenção após serem cadastrados no Google Maps como se fossem estabelecimentos comerciais legítimos. Registros encontrados nas zonas Norte e Oeste do Rio de Janeiro mostram locais identificados como “lojas” e até “farmácias”, com avaliações públicas feitas por usuários.
Avaliações simulam comércio legal e elogiam produtos
Um dos casos mais comentados é o da chamada “Boca da Praça”, localizada no bairro do Jacaré, a poucos metros da Cidade da Polícia — complexo que reúne diversas delegacias especializadas.
No cadastro, o ponto aparece como uma “loja” comum. Já nos comentários, usuários descrevem experiências de compra, elogiando tanto a qualidade das substâncias quanto a facilidade de acesso. Há relatos que tratam os produtos como “especiarias” e classificam o local como uma “boa boca para os padrões cariocas”.
Outro exemplo é a “Boca da Lapa”, em Senador Camará, registrada como “farmácia”. Avaliações mencionam “remédios”, termo usado de forma irônica para se referir a entorpecentes, além de comentários que destacam funcionamento contínuo e variedade de produtos ilícitos.
Uso da tecnologia escancara prática ilegal
Para o antropólogo e ex-capitão do BOPE, Paulo Storani, o caso chama atenção pela forma explícita com que a atividade criminosa vem sendo divulgada em plataformas abertas.
Segundo ele, apesar da aparente proximidade com unidades policiais, muitos desses pontos estão inseridos em áreas controladas por facções criminosas, o que exige planejamento estratégico para qualquer tipo de operação.
Além disso, Storani destaca que a mesma ferramenta utilizada por criminosos pode servir como fonte de inteligência para as forças de segurança, permitindo a coleta de dados e o monitoramento dessas atividades.
Falta de resposta oficial e preocupação com moderação
Até o momento, nem a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro nem a Google se pronunciaram oficialmente sobre os registros.
O caso levanta questionamentos sobre a moderação de conteúdo em plataformas digitais e os limites entre liberdade de publicação e responsabilidade no combate a práticas ilegais.