31 de julho de 2025
Deportação

EUA enviam sul-americanos a país africano em novo modelo de deportação

Imigrantes com pedidos de asilo foram levados à República Democrática do Congo sob acordo dos EUA com países terceiros

Por RAYANY FRANÇA
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Serviço de imigração ICE EUA - Foto: Divulgação/Serviço de Imigração e Fronteira dos EUA

Um voo partiu da Louisiana, nos Estados Unidos, e pousou na última sexta-feira (17/4) na República Democrática do Congo (RDC), levando ao menos 15 sul-americanos requerentes de asilo, entre peruanos, equatorianos e colombianos.

A operação é a primeira desde que o governo de Donald Trump firmou um acordo com a RDC no início de abril para transferir migrantes detidos pelo sistema de imigração americano para países terceiros.

Os deportados, segundo as autoridades, não são originários da RDC e permanecerão temporariamente no país africano até serem encaminhados aos seus países de origem, em um processo que pode levar meses.

A medida é parte de uma estratégia do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) de acelerar deportações e reduzir a pressão sobre o sistema prisional migratório, que tem sido alvo de superlotação após operações de grande escala.

Os imigrantes atingidos possuem ordens de proteção na Justiça americana e alegam risco de perseguição caso retornem aos países de origem, o que, em tese, impediria a repatriação direta.

Segundo relatório citado por parlamentares democratas, os EUA já gastaram cerca de US$ 40 milhões para enviar aproximadamente 300 imigrantes a países sem vínculo direto com eles. Entre os destinos estão nações da África e da América Latina que recebem incentivos financeiros em troca da cooperação.

Organizações de direitos humanos e especialistas apontam que o modelo pode violar normas internacionais de proteção a refugiados, especialmente o princípio de não devolução a locais onde há risco à vida ou à integridade.

Até o momento, os deportados estão hospedados em um hotel próximo ao aeroporto de Kinshasa, sob vigilância das autoridades locais, enquanto aguardam definições sobre seu futuro.