De olho na longevidade: endocrinologista lista os alimentos que não podem faltar na dieta de quem passa dos 60
A especialista explica que a alimentação nessa faixa etária deve ser "predominantemente" composta por alimentos de origem natural ou minimamente processados
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Conforme projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os brasileiros com 60 anos ou mais passarão a corresponder a cerca de 37,8% da população do país daqui a 45 anos, percentual equivalente a 75,3 milhões de indivíduos. Com o avanço da idade, a atenção à saúde, em especial à alimentação, torna-se ainda mais fundamental. Em entrevista à coluna, a endocrinologista Jacy Maria Alves indicou sete alimentos que os sexagenários deveriam consumir diariamente.
Mestra em medicina interna com foco em diabetes pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), a especialista explica que a alimentação nessa faixa etária deve ser "predominantemente" composta por alimentos de origem natural ou minimamente processados — ou seja, aqueles que preservam a matriz alimentar e mantêm a densidade nutricional elevada. Segundo a médica, esses alimentos modulam os principais eixos do envelhecimento, como metabolismo energético, neuroplasticidade, estabilidade glicêmica, função muscular e saúde cardiovascular. "Esse padrão alimentar favorece menor carga inflamatória, maior diversidade microbiana e melhor desempenho cognitivo, formando a base fisiológica necessária para um envelhecimento funcional e longevo", destaca.
Entre os alimentos recomendados estão os vegetais verde-escuros, como espinafre, couve e brócolis. De acordo com Jacy, esses vegetais concentram folato, luteína, vitamina K1, magnésio e compostos sulforados, nutrientes fortemente associados à longevidade cognitiva. "O consumo diário de vegetais verde-escuros está relacionado a uma taxa de declínio cognitivo significativamente mais lenta", detalha. A especialista salienta que essas opções têm em sua composição fitoquímicos capazes de ativar vias antioxidantes, o que protege os neurônios contra o estresse oxidativo, classificado como um marcador central da neurodegeneração.
O outro grupo indicado pela médica é o das proteínas magras de alta qualidade, como ovo, peixe, tofu e iogurte natural. A médica frisa que, após os 60 anos, ocorre uma queda fisiológica da resposta metabólica, aumentando a vulnerabilidade à sarcopenia — condição ligada à piora metabólica e cognitiva. "Fontes proteicas completas contribuem para manter a massa muscular como órgão endócrino, regulando glicemia, sensibilidade à insulina e liberação de miocinas neuroprotetoras", explica.
Com o título de especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Jacy Maria Alves ressalta que os ovos fornecem colina, "essencial para a síntese de acetilcolina, um neurotransmissor-chave na memória". Ela pontua que os peixes ricos em ômegas 3 do tipo EPA e DHA sustentam a plasticidade sináptica e reduzem a inflamação sistêmica. "Ou seja, apoiam a função cerebral e cardiovascular", conclui.