Eleição no Peru: segundo turno segue indefinido
Com 93,3% das urnas apuradas, esquerdista Roberto Sánchez e ultraconservador Rafael Aliaga estão separados por menos de 3 mil votos. Keiko Fujimori já está na final
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O resultado da eleição presidencial no Peru continua indefinido cinco dias após o pleito. Realizado no último domingo (12), o primeiro turno teve 35 candidatos – e o país caminha para ter seu nono presidente em apenas dez anos, reflexo de uma crise política profunda. A direitista Keiko Fujimori (Fuerza Popular) garantiu matematicamente uma vaga no segundo turno (marcado para 7 de junho) com 17% dos votos. Mas seu adversário ainda é uma incógnita: o segundo e o terceiro colocados estão separados por menos de 3 mil votos.
Até o início da tarde desta sexta-feira (17), o Peru havia contabilizado 93,3% das urnas. O esquerdista Roberto Sánchez Palomino (aliado do ex-presidente deposto Pedro Castillo) aparece com 12% (1,89 milhão de votos), enquanto o ultraconservador Rafael López Aliaga (admirador de Donald Trump) tem 11,9% (1,877 milhão de votos). Com o avanço da apuração nas zonas rurais, Sánchez ultrapassou Aliaga, que agora denuncia suposta fraude eleitoral sem apresentar provas – acusação rejeitada pela missão da União Europeia, que não identificou indícios de irregularidades.
Quem são os candidatos
- Keiko Fujimori (direita): filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), esta é sua quarta eleição presidencial (perdeu os segundos turnos de 2011, 2016 e 2021). Ela promete realinhamento com os EUA, endurecimento migratório e combate à influência chinesa, especialmente no Porto de Chancay (construído com investimentos chineses).
- Roberto Sánchez (esquerda): psicólogo, deputado, foi ministro de Pedro Castillo. Defende nacionalização de recursos naturais, nova Constituinte, mais direitos trabalhistas e aproximação com a China. Tem apoio de setores rurais e populares.
- Rafael Aliaga (ultradireita): ex-prefeito de Lima, é comparado a Trump e a Javier Milei. Combina discurso ultraconservador com defesa radical do livre mercado.
Crise política e governabilidade
O Peru tem um histórico de instabilidade: nove presidentes em dez anos, com renúncias, destituições e um parlamento muito fragmentado. O professor Gustavo Menon (USP) avalia que, independentemente de quem vença, a governabilidade será difícil – o presidente eleito precisará fazer muitas concessões para formar base no Congresso, que é quem de fato dita as agendas de governo.
O país é o quarto mais populoso da América do Sul (cerca de 34 milhões de habitantes) e tem uma fronteira de 2,9 mil km com o Brasil – a segunda maior depois da Bolívia. A eleição peruana tem repercussões diretas na disputa comercial entre China e EUA na região.