Queda do petróleo não deve baratear diesel no Brasil mesmo com reabertura do Estreito de Ormuz
Especialistas apontam defasagem de preços e incertezas geopolíticas como entraves para redução nas bombas
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A reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, anunciada nesta sexta-feira (17), provocou queda nos preços internacionais do petróleo, mas não deve resultar em redução no valor do diesel no Brasil, segundo analistas do setor.
Após o anúncio, os contratos do petróleo tipo Brent referência global caíram mais de 10%, sendo negociados abaixo de US$ 90 o barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, também registrou forte recuo, refletindo um alívio momentâneo nas tensões geopolíticas.
A liberação da passagem ocorre durante um cessar-fogo envolvendo Irã e Israel, após semanas de conflito na região. O estreito é considerado uma rota estratégica, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo.
Apesar da queda no mercado internacional, especialistas afirmam que o impacto no Brasil deve ser limitado. Para o economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o cenário ainda é instável e não há expectativa de redução significativa no preço do diesel.
Segundo ele, mesmo com um ambiente mais estável, o petróleo deve permanecer entre US$ 80 e US$ 100 o barril, o que não seria suficiente para pressionar uma queda no combustível no país.
Na mesma linha, o analista Vitor Sousa, da Genial Investimentos, explica que o diesel no Brasil já apresenta defasagem em relação ao mercado internacional. Com isso, a recente queda do petróleo tende apenas a reduzir essa diferença, e não a gerar diminuição imediata no preço ao consumidor.
Ainda de acordo com especialistas, a incerteza geopolítica segue como fator de risco. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o bloqueio naval contra o Irã será mantido até a conclusão das negociações, o que mantém o mercado em alerta.
Desde o início do conflito, no fim de fevereiro, o Estreito de Ormuz havia sido fechado pelo Irã, afetando o fluxo global de energia. A reabertura, embora relevante, é vista como temporária e sujeita a mudanças rápidas no cenário internacional.