PF aponta MC Ryan como líder de esquema que lavou dinheiro do tráfico
Justiça determinou bloqueio de até R$ 2,2 bilhões ligados a lucro de cocaína
Publicado em
A Polícia Federal apontou o funkeiro MC Ryan SP como líder de um esquema de lavagem de dinheiro abastecido, entre outras fontes, pelo tráfico internacional de drogas. O artista foi preso na manhã desta quarta-feira (15), durante a Operação Narco Fluxo.
Segundo as investigações, o grupo teria lavado recursos provenientes da venda de mais de três toneladas de cocaína, além de valores oriundos de apostas ilegais e rifas digitais.
A prisão ocorreu em Bertioga, no litoral de São Paulo. A operação mobiliza mais de 200 policiais federais e cumpre mandados em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e o Distrito Federal.
De acordo com a PF, o cantor utilizava empresas ligadas à produção musical e a própria visibilidade nas redes sociais para misturar receitas lícitas com dinheiro ilícito. O esquema também teria ligação estrutural com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A decisão judicial que autorizou a operação determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de 77 investigados. O valor foi estimado com base no lucro obtido com o tráfico de drogas e nas movimentações financeiras identificadas ao longo da apuração.
As investigações indicam ainda que, após a lavagem, os recursos eram reinseridos na economia formal por meio da compra de imóveis de alto padrão, veículos de luxo e outros bens.
Além disso, o artista é suspeito de transferir participações societárias para terceiros, incluindo familiares, com o objetivo de ocultar patrimônio. A PF também apura o pagamento a operadores de mídia para promover conteúdos favoráveis e minimizar impactos negativos das investigações.
Ao todo, são cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária. Entre os alvos estão outros nomes ligados ao cenário musical e digital, como MC Poze do Rodo e o influenciador Raphael Sousa.
A Justiça também determinou medidas de sequestro de bens e restrições societárias para interromper as atividades ilícitas e garantir eventual ressarcimento.
Em nota, a defesa de MC Ryan afirmou não ter tido acesso ao processo, mas declarou que todas as movimentações financeiras do artista têm origem lícita e comprovada. A defesa disse ainda confiar que os esclarecimentos irão demonstrar a legalidade das operações.
As investigações seguem em andamento, e os envolvidos podem responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.