Delação prevê devolução de até R$ 1 bilhão em impostos sonegados em esquema de combustíveis
Empresário investigado na Operação Carbono Oculto cita magistrados e servidores e negocia acordo com o MP de São Paulo
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A proposta de delação premiada do empresário Roberto Augusto Leme da Silva, investigado na Operação Carbono Oculto, prevê o ressarcimento de até R$ 1 bilhão em impostos sonegados ao Estado de São Paulo.
O acordo foi apresentado ao Ministério Público de São Paulo e aguarda análise do procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, que decidirá pela aceitação ou não dos termos.
Inicialmente estimado em cerca de R$ 400 milhões, o valor de devolução foi elevado durante as negociações, com base em cálculos da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, que aponta prejuízo de aproximadamente R$ 1,38 bilhão em ICMS.
Segundo fontes, o empresário também apresentou documentos preliminares com nomes de magistrados e servidores públicos supostamente envolvidos no esquema, além de contatos que podem auxiliar no aprofundamento das investigações.
A delação, no entanto, ainda enfrenta questionamentos do Ministério Público, especialmente pela ausência de detalhes sobre a possível participação do Primeiro Comando da Capital no esquema de sonegação fiscal no setor de combustíveis.
As investigações indicam que empresas ligadas ao grupo atuavam na lavagem de dinheiro e na fraude tributária, além de expandirem operações na cadeia produtiva, incluindo aquisição de usinas de etanol. A apuração também aponta que cerca de mil postos vinculados à facção movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
Roberto Leme e o empresário Mohamad Hussein Mourad, apontado como um dos principais líderes do esquema, estão foragidos e foram localizados na Líbia. Ambos constam na lista de difusão vermelha da Interpol.
O acordo de delação segue em negociação e pode avançar caso novas provas sejam apresentadas às autoridades.