Mais de 60% das famílias em favelas enfrentam insegurança alimentar
Pesquisa revela coexistência de fome e excesso de peso entre crianças
Publicado em
Um estudo do Instituto Desiderata aponta que 60,7% das famílias que vivem em favelas no Brasil enfrentam algum nível de insegurança alimentar.
A pesquisa também destaca a chamada “dupla carga da má nutrição”, caracterizada pela presença simultânea de fome e excesso de peso, especialmente entre crianças. Entre aquelas com idades entre 5 e 10 anos, 34,7% apresentam excesso de peso, sendo mais de 21% com sobrepeso e cerca de 13% com obesidade.
O levantamento ouviu 900 famílias em comunidades como o Complexo da Maré e o Caramujo, no Rio de Janeiro, além do Coque, em Pernambuco.
De acordo com o estudo, o alto custo dos alimentos é um dos principais obstáculos para uma alimentação adequada. Cerca de 43% dos entrevistados afirmaram que itens frescos, apesar de disponíveis, não são acessíveis financeiramente. Em contrapartida, alimentos ultraprocessados são mais consumidos nesses territórios.
O acesso físico também é um desafio: 33% dos moradores levam mais de 30 minutos para chegar ao principal local de compra, sendo que a maioria faz o trajeto a pé.
Outro dado que chama atenção é a baixa adesão à alimentação escolar em algumas regiões. No bairro do Coque, por exemplo, embora a maioria das crianças esteja matriculada, apenas uma parcela reduzida realiza refeições nas escolas.
Apesar das dificuldades, a escola ainda aparece como um importante espaço de acesso à alimentação, com mais da metade das crianças consumindo merenda regularmente.
O estudo reforça que fatores como renda, localização e acesso influenciam diretamente a qualidade da alimentação, evidenciando desigualdades que impactam a saúde das populações mais vulneráveis.