Ex-candidato que chamou deputada de 'feia' e 'horrorosa' é indiciado pela polícia
Alisson Correia Dias, ex-candidato a vereador pelo PT, teria ofendido Clarissa Tércio (PP-PE) durante sessão da Comissão da Mulher; caso foi encaminhado à Justiça Federal
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A Polícia Legislativa Federal (PLF) indiciou por injúria o homem que chamou a deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE) de "feia" e "horrorosa" durante uma sessão da Comissão em Defesa dos Direitos da Mulher, realizada na última quarta-feira (8/4). O autor das ofensas foi identificado como Alisson Correia Dias, que se candidatou a vereador de Pedro Leopoldo (MG) pelo PT nas eleições municipais de 2024. Segundo o partido, ele já não integra mais a legenda atualmente. O episódio ocorreu em meio a um ambiente já tenso no colegiado e gerou reações imediatas entre os parlamentares presentes.
A Polícia Legislativa entendeu que o caso se enquadra na modalidade de injúria qualificada, uma vez que a vítima estava no exercício da função pública como parlamentar. O inquérito policial foi concluído e já foi encaminhado à Justiça Federal, que agora irá analisar o caso. A tipificação penal mais grave se justifica justamente por a ofensa ter sido proferida contra uma deputada federal em razão de suas funções, o que agrava a conduta segundo a legislação brasileira.
O caso provocou confusão dentro da própria comissão. Ao ouvir as ofensas, o deputado Delegado Éder Mauro (PL-PA) levantou-se e deu um tapa no telefone de Alisson, fazendo com que o aparelho caísse no chão. A presidente do colegiado, deputada Érika Hilton (PSol-SP), interveio imediatamente. Ela afirmou que a ofensa era inadmissível, mas fez questão de alertar o colega de que agressão não se combate com mais agressão. O momento expôs a tensão que marca os debates na comissão, especialmente em relação a temas sensíveis como direitos femininos e identidade de gênero.
Nas redes sociais, Alisson Correia Dias tentou se justificar. Ele alegou que, quando usou os termos "feia" e "horrorosa", não se referia a nenhuma mulher em específico, "mas à atitude e às falas transfóbicas que estavam sendo proferidas naquele momento". A declaração, no entanto, não foi suficiente para evitar o indiciamento. A deputada Clarissa Tércio, por sua vez, já havia se posicionado publicamente contra a eleição de Érika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, declarando que o cargo deveria ser ocupado por uma "mulher de fato". A fala foi amplamente interpretada como uma crítica à identidade de gênero da parlamentar do Psol, o que acirrou ainda mais os ânimos no colegiado nas últimas semanas.