31 de julho de 2025
CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Paquistão sob pressão: mediação entre EUA e Irã tenta transformar trégua frágil em paz duradoura

Enquanto delegações chegam a Islamabad para negociações neste sábado (11), país enfrenta desafios diplomáticos e de segurança. Cessar‑fogo de duas semanas exclui Líbano, e Irã condiciona participação à suspensão de ataques israelenses

Por Redação
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Bandeira do Paquistão - Foto: Reprodução/Matt King-ICC/ICC via Getty Images

O Paquistão assumiu um papel central nas negociações entre Estados Unidos e Irã e agora se prepara para receber, neste sábado (11), uma rodada decisiva de conversas em Islamabad. A mediação, que já garantiu um frágil cessar‑fogo de duas semanas, enfrenta enorme pressão para transformar a trégua em um acordo de paz duradouro e estabilizar a economia mundial. Analistas consideram a tarefa quase uma “missão impossível”.

O primeiro‑ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército, marechal de campo Asim Munir, dedicaram semanas a negociações diplomáticas para evitar uma escalada que poderia agravar a instabilidade na fronteira oeste com o Irã e o Afeganistão. O papel de Islamabad representa uma reviravolta impressionante para um país que, há apenas um ano, estava à margem da diplomacia internacional. O sucesso no diálogo de sábado consolidaria sua recém‑adquirida proeminência; o fracasso, no entanto, poderia corroer essa imagem.

As autoridades isolaram partes da capital, reforçaram a segurança ao redor do Hotel Serena (onde as conversas devem ocorrer) e intensificaram postos de controle, barricadas e patrulhas. O hotel de luxo foi esvaziado e colocado sob controle do governo, e a chamada “Zona Vermelha” será completamente lacrada. A dimensão das precauções reflete o quanto o Paquistão se sente vulnerável – não apenas à violência militante interna, mas também ao risco de que qualquer perturbação comprometa uma delicada abertura diplomática.

Delegações e desafios

Os Estados Unidos serão representados pelo vice‑presidente JD Vance, pelo enviado especial ao Oriente Médio Steve Witkoff e pelo genro do presidente americano, Jared Kushner. Do lado iraniano, participam o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento Mohammad Baqer Qalibaf.

A principal controvérsia é a abrangência do cessar‑fogo: Israel e os EUA afirmam que a trégua não inclui o Líbano – onde Israel intensificou os ataques contra o Hezbollah. O Irã, por sua vez, condiciona sua participação nas negociações à suspensão imediata dos bombardeios israelenses em território libanês. O Paquistão tem insistido para que o Líbano seja incluído, e o governo de Beirute já pediu apoio a Sharif nesse sentido.

O que está em jogo

Além da reabertura do Estreito de Ormuz, as negociações abordarão pontos sensíveis como o programa nuclear iraniano, a retirada de sanções e o fim das hostilidades em todas as frentes. O Irã já apresentou um plano de dez pontos que inclui o reconhecimento de seu direito ao enriquecimento de urânio e a manutenção do controle sobre o estreito.

O analista Kamran Bokhari, do Conselho de Política do Oriente Médio, resume o dilema paquistanês: “O Paquistão não poderia ter sucesso se não tivesse ambos os lados trabalhando em estreita colaboração com ele”. E complementa: “Se houver caos por causa da guerra, se o regime enfraquecer no Irã e houver caos no país, especialmente no sudeste, nas províncias de Sistão e Baluchistão, então teremos uma situação muito ruim para o Paquistão”.