Livro alega que pai de Jordan Chandler o drogou e manipulou memórias para incriminar Michael Jackson
“Unmasked: The Final Years of Michael Jackson”, do jornalista Ian Halperin, afirma que Evan Chandler usou sedativo no filho para extrair falsas acusações
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A poucos dias da estreia da cinebiografia “Michael”, marcada para 23 de abril de 2026, o nome do Rei do Pop volta a ocupar as manchetes com uma controvérsia que remonta ao início de sua tragédia pública. O jornalista investigativo Ian Halperin, autor do livro best-seller “Unmasked: The Final Years of Michael Jackson” (“Desmascarado: Os Últimos Anos de Michael Jackson”, em tradução livre), lança uma nova edição da obra com uma tese bombástica: a primeira acusação de abuso sexual contra Michael Jackson teria sido uma farsa orquestrada pelo pai do acusador, Evan Chandler.
Halperin, que em 2008 previu a morte de Jackson com seis meses de antecedência, sustenta que o cantor nunca molestou Jordan Chandler (também chamado de Jordie). Em entrevista ao Daily Mail, o autor afirmou que o adolescente foi “vítima do próprio pai, que o manipulou numa tentativa de lucrar com o músico”. A obra inclui a transcrição de uma entrevista realizada em outubro de 1993 com Jordan, então com 13 anos, conduzida pelo psiquiatra infantil Richard Gardner, uma das maiores autoridades americanas em falsas acusações de abuso. Gardner concluiu que o garoto havia sido abusado, mas, segundo Halperin, ele não sabia de um detalhe crucial: Evan Chandler havia administrado ao filho o sedativo amital sódico — popularmente conhecido como “soro da verdade” — durante um procedimento odontológico em 12 de julho de 1993.
O “soro da verdade” e a manipulação de memórias
O amital sódico é um hipnótico potente que, segundo precedentes judiciais citados por Halperin, pode induzir a formação de falsas memórias. O autor levanta a hipótese de que, sob o efeito da droga, Jordan tenha relatado episódios que não ocorreram, influenciado pelas perguntas tendenciosas do pai. A edição atualizada do livro, que chega às livrarias dos EUA dois dias antes da estreia do filme, foi lançada justamente para reacender o debate sobre a primeira acusação que manchou a carreira de Jackson.
O acordo de US$ 23 milhões e o silêncio forçado
A investigação criminal contra Jackson foi encerrada em 1994 sem indiciamento, mas o dano à sua imagem já estava feito. A família Chandler entrou com uma ação civil, e o caso terminou em um acordo financeiro de cerca de US$ 23 milhões (aproximadamente R$ 120 milhões na cotação atual) . O pagamento foi feito pela seguradora de Jackson, não pelo cantor, e nunca foi uma admissão de culpa. No entanto, o acordo continha uma cláusula de confidencialidade que, até hoje, impede Jackson e seus herdeiros de falarem sobre o caso. A decisão de pagar teria sido imposta pela seguradora, que temia os prejuízos bilionários com o cancelamento da turnê “Dangerous World Tour”.
O caso Chandler teve consequências duradouras. Em 2003, a Califórnia alterou sua legislação para impedir que processos civis por abuso sexual precedessem investigações criminais, justamente para evitar que famílias buscassem compensação financeira antes de qualquer apuração formal da Justiça.
O eco na cinebiografia “Michael”
A sombra do acordo de 1993 ainda ronda a produção do filme “Michael”. Segundo reportagem do The Hollywood Reporter, a produção teve que regravar parte do material porque violava a cláusula de confidencialidade do acordo com a família Chandler, que ainda está em vigor. A cláusula proíbe qualquer menção, dramatização ou representação dos fatos relacionados às acusações.
A cinebiografia, dirigida por Antoine Fuqua (“Dia de Treinamento”) e estrelada por Jaafar Jackson (sobrinho do cantor), estreia nos cinemas brasileiros em 23 de abril de 2026. O filme promete não fugir dos temas difíceis, mas sua produção foi marcada por controvérsias e revisões por conta das restrições legais impostas pelo acordo de 1993.