Vereadora Teca Nelma critica gestão, mas internautas lembram denúncias sobre Pestalozzi e uso de emendas
ONG que já foi presidida por sua mãe, Tereza Nelma, recebeu R$ 8,5 milhões em emendas; parte do valor pagou aluguel de imóvel do marido da ex-deputada. CGU apontou violação de princípios da administração pública
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A vereadora de Maceió, Teca Nelma (PT) , tem usado as redes sociais para criticar a atual gestão municipal, mas suas postagens vêm gerando respostas de usuários que resgatam denúncias envolvendo a Associação Pestalozzi de Maceió, publicadas pelo jornal O Globo em janeiro deste ano. A entidade foi presidida por sua mãe, Tereza Nelma, atual Secretária de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência (Secti) de Alagoas.
Segundo a reportagem, Tereza Nelma comandou a Pestalozzi por dez anos. Após se eleger deputada estadual em 2019 e deixar a presidência da associação para sua vice, ela passou a destinar emendas parlamentares para a ONG que havia dirigido. Entre junho de 2021 e fevereiro de 2025, a entidade – que atende pessoas com deficiência – recebeu R$ 8,5 milhões da então deputada.
A prestação de contas obtida pelo jornal mostra que parte do dinheiro foi usada para pagar aluguel de um imóvel de propriedade do marido de Tereza Nelma, Renato Viana Soares. Foram identificados ao menos 12 recibos de R$ 10,6 mil em nome dele, justificados como locação do imóvel utilizado pela entidade. Soares afirmou ao GLOBO que o imóvel lhe pertence há mais de 20 anos e que “não tem nada de estranho” que uma emenda tenha pago alguns meses de aluguel. “Não sei se tem crime nisso”, disse.
No entanto, uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que a destinação de emenda para pagamento de aluguel em imóvel do marido da parlamentar “compromete os princípios da impessoalidade, moralidade e transparência que regem a gestão de recursos públicos”.
Procurada na época, a Pestalozzi negou irregularidades e afirmou estar à disposição da CGU para esclarecer dúvidas e “corrigir eventuais equívocos de procedimento”. A entidade disse que “reafirma seu compromisso inabalável com a inclusão social de PCDs, impactando positivamente milhares de vidas em Alagoas sem qualquer indício de desvio de recursos”. Na época, a secretária Tereza Nelma não se manifestou.