31 de julho de 2025
infidelidade?

Micro cheating: entenda o que são as 'micro traições' que estão mexendo com os relacionamentos

Curtir foto provocativa, conversar com outras pessoas sem mencionar que é comprometida ou entrar em app de namoro por 'curiosidade' podem ser sinais de alerta; psicóloga explica os limites

Por Redação
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Imagem ilustrativa - Foto: Shutterstock

Sabe quando a pessoa com quem você se relaciona curte exatamente aquela foto provocativa de um perfil que te faz sentir ameaçado? Ou então conversa com outras pessoas pela internet sem citar que é comprometida? Esses são exemplos de situações que podem ser traduzidas como micro cheating — termo que tem ganhado espaço na internet nos últimos anos. Trata-se das chamadas "micro traições" ou "traições sutis".

Por mais que a expressão tenha surgido recentemente, ao lado de outros fenômenos comportamentais como lovebombing e ghosting, a realidade que ela descreve não é nova. É o que explica a psicóloga Jéssica da Conceição Bonfim, especialista em saúde mental. Segundo ela, o "micro" vem do fato de não se tratarem de traições com contato físico, íntimo ou sexual com outra pessoa, mas ainda assim são comportamentos que levantam um questionamento sincero sobre a ética de determinadas ações. "São comportamentos que um dos cônjuges adota com relação a interações através da internet", detalha.

Jéssica avalia que, muitas vezes, atitudes como curtir fotos, puxar conversas ou até mesmo entrar em aplicativos de relacionamento para "fuxicar" não se concretizam em um encontro efetivo. "Tem muitas pessoas que buscam esse tipo de comportamento dentro do relacionamento muitas vezes por tédio, ou porque querem, de fato, algo novo, mas não têm a coragem de arriscar uma traição de verdade", afirma. Para a especialista, essa é uma forma de alimentar "desejos ocultos" sem se arriscar por completo.

"Às vezes a pessoa já está insatisfeita com a relação, ou ela é alguém que gosta mesmo dessa sensação de possível interesse, de possível traição, de flertar. Aí ela adota esses comportamentos porque, uma vez descoberto, é fácil justificar que 'não foi uma traição': 'Eu só curti, eu só estava conversando, eu só estava curioso, não é nada demais, eu não fiquei com essa pessoa'. Então é meio que uma estratégia", analisa.

O ponto de isso ser ou não uma traição pode variar de acordo com os compromissos estabelecidos em cada relacionamento. Mas, como a psicóloga aponta, não há como negar que são comportamentos inadequados para quem está dentro de uma relação e que podem, sim, ser considerados um tipo de traição. Para Jéssica, dar nomes a situações como o micro cheating é uma forma de aproximar o diálogo de mais pessoas, principalmente dos mais jovens.

"Talvez se a gente parar para falar sobre um problema dentro de um relacionamento de maneira mais aprofundada, o alcance seja menor do que quando a gente nomeia com palavras-chave como essas: lovebombghosting. Acho que as pessoas têm mais essa necessidade atualmente, também por conta desse advento da tecnologia, de abreviar as nomeações referentes aos problemas que temos enfrentado, principalmente dentro do relacionamento", conclui. Considerando que os relacionamentos têm sido também espaços de conflito e, infelizmente, de violência, alertar sobre comportamentos como o micro cheating — mesmo que considerados "pequenos" — torna-se ainda mais essencial para a saúde emocional dos casais.