Caso Claudia Pollyanne: Donos de clínica viram réus por morte de esteticista
Caso ocorreu em 2025 e já aguardava julgamento; MP aponta tortura, cárcere privado e homicídio qualificado
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A Justiça de Alagoas aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réus três investigados pela morte da esteticista Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, ocorrida no ano passado em uma comunidade terapêutica no município de Marechal Deodoro. O caso já aguardava julgamento e agora avança para a fase de instrução processual.
Passam a responder à ação penal Maurício Anchieta de Souza, Jéssica da Conceição Vilela e Soraya Pollyanne dos Santos Farias, tia da vítima. Na decisão, o Judiciário aponta a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade, com descrição detalhada das condutas atribuídas a cada um dos acusados.
Segundo a denúncia, Maurício Anchieta é apontado como o principal executor das agressões e responderá por homicídio qualificado, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de cárcere privado qualificado. Já Jéssica da Conceição Vilela também foi denunciada por homicídio qualificado e cárcere privado, sob acusação de participar das agressões e aderir às práticas violentas dentro da unidade.
A tia da vítima, Soraya Pollyanne, foi denunciada por cárcere privado qualificado. De acordo com o Ministério Público, ela teria mantido Cláudia internada contra a própria vontade mesmo após o encerramento do contrato, contribuindo para a continuidade das violências.
As investigações apontam que a esteticista foi submetida a um ambiente sistemático de agressões durante cerca de sete meses, período em que permaneceu na clínica sem respaldo legal. Testemunhas relataram episódios frequentes de espancamentos, com socos, chutes e até estrangulamento, além do uso excessivo de medicação para deixá-la dopada e sem capacidade de reação.
No dia da morte, ainda conforme a denúncia, Cláudia Pollyanne teria sido novamente agredida de forma intensa. Laudos indicaram múltiplas lesões pelo corpo e sinais compatíveis com asfixia, reforçando a brutalidade do crime.
O caso ganha ainda mais gravidade porque dois dos réus, Maurício Anchieta e Jéssica Vilela, já estão presos em outro inquérito, no qual também respondem por crimes como tortura e estupro contra internos da mesma clínica.
Com o recebimento da denúncia, o processo segue agora para a fase de instrução, com coleta de provas e oitiva de testemunhas antes do julgamento final.
Paralelamente, o caso segue mobilizando familiares e integrantes da Comissão de Amigos de Cláudia Pollyanne, que acompanham o andamento das investigações desde o ocorrido.
